Só mais uma vez não vai fazer diferença

Esses dias ensolarados e frios, meio cara de verão europeu, combinam tão bem contigo que poderia perder horas vendo o Sol invadir cada palmo da tua pele que, meio pra dentro, meio pra fora do cobertor, fica tão linda encostada na minha. Com as tuas meias coloridas esquentando os pés, que – ao contrário do resto do teu corpo – insistem em permanecerem frios, você se estica e, em vão, tenta alcançar o celular que carrega do outro lado da cama.

De vez em quando paro pra pensar nas circunstâncias que levaram à esse momento, foi tão natural o jeito que do bar a gente veio pra cá comer algo, e da comida a gente acabou abrindo mais algumas cervejas e das cervejas o sono apareceu. Natural também a forma que fomos nos descobrindo, essas coisas de encontro, date, carregam em si um peso de querer parecer alguém irretocável e irretocáveis nunca foi algo que combinou conosco.

Começamos meio errados, como se nos conhecêssemos de outra vida, emendamos nossa noite em um almoço e sem querer, você acabou ficando pro jantar. Fazer o que, de vez em quando o beijo encaixa.

Pode até ter parecido rápido, mas devagarzinho te vi se espalhar no meu dia-a-dia e se apossar de um pedacinho do meu sentimento. Apossar poderia ser uma palavra forte, mas a partir do momento que a tua perna se prendeu na minha cintura tudo ficou um pouco mais leve.

Tão leves quanto os dias que começam com a tua boca encontrando caminhos alternativos até a minha, passando pelas minhas costas, cochichando no meu ouvido e demarcando território no meu pescoço.

Leve é o jeito que me sinto quando penso em ti.

Não nego que sempre fui extremamente apegado, eu sou o tipo de pessoa que tem 10gb de backup no WhatsApp a ideia de revisitar o passado me impede de largar o osso e apagar parte das conversas, mas contigo eu fico mais tranquilo, a ideia de que não importa quão longe vá eventualmente a tua boca volta, me passa uma sensação de conforto. Nunca senti desapego por ninguém, mas com você experimentei. Talvez seja maturidade, ou só a certeza de que a gente não tem muito o que perder, então podemos aproveitar cada segundo junto pra se agarrar.

Esses dias ensolarados e frios dão uma pr

eguiça e não sei bem porque você resolveu levantar, mas gosto da ideia, fica mais gostoso de te puxar. Pela cintura te trago mais perto, aperto tua coxa e jogo, com aquela delicadeza que imagino só eu consigo ter, as tuas pernas pra trás de mim.

A cena é linda e deveria ser emoldurada e por falta de aquarela, joga teu cabelo pro lado, deixa teu pescoço solto e vamos nos colorir, em tons de vermelhos leves o suficiente para sumirem quando o Sol surgir.

Já perdi a conta de quantas vezes repetimos essa cena e em dado momento tenho certeza de que iremos nos dar perceber que foram muitas, mas com teu rosto tão perto do meu fica complicado pensar em qualquer coisa que não caminhe pela tua boca. Por falar em boca, sinto saudade da tua na minha, sem essa de pé só mais uma vez não vai fazer diferença.

E caso faça, a gente resolve do nosso jeito, bem devagarinho.

Bixinho.

@brunoamador

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