Uma carta aberta à minha, e talvez à tua, ansiedade

Querida ansiedade, é parte da minha vida desde que me lembro. Mal tinha aprendido a falar, quando você, e a sua capacidade de me inundar de pensamentos, tentando se expressar mais rápido do que eu podia, me faziam – e ainda fazem – gaguejar.

Nunca soube esperar e sempre tentei fazer mil coisas ao mesmo tempo, talvez a inquietude da mente se reflita na facilidade que meus dedos tantas vezes digitaram, enquanto os “normais” enxergam retas entre pontos a e b, eu vejo uma quantidade descomunal de caminhos e imagino, sem querer, a consequência em tomar cada um deles. Quando na verdade, eu só deveria ir reto. E ansiedade, durante muito tempo, tu me fez andar torto.

Tropecei tantas vezes pelo caminho que perdi a conta de quantas vezes você me jogou no chão. Pequenas coisas viravam problemas tão grandes que jurava, assim como Drummond, carregar nos meus ombros o peso do mundo. Quando na verdade era só um desses pequenos deslizes que a vida tanto tem.

Você, assim como eu, tem seus momentos. De vez em quando chego a esquecer que existe, outras vezes uma mensagem visualizada e não lida dispara meu coração, me rouba o ar e me deixa impulsivo. É incrível como de vez em quando te deixo assumir o controle. Quantas conversas perdidas, festas não idas, discussões desnecessárias você já me meteu. Não que me isente da culpa, depois de tanto tempo deveria saber lidar contigo, mas não sei como, você eventualmente acha teu caminho entre os muros que montei.

Você é fluida.

Essa carta, vem em um momento particularmente conturbado. São 3:30 da manhã e já fazem algumas horas que alguns problemas fizeram eu não conseguir ter um date hoje. Normal, imprevistos acontecem, mas esse “bolo” me fez pensar em tanta coisa, que cheguei a abrir uma confeitaria.

Não é fácil.

De tanto criar cenário e analisar fatos, que não deveria ser analisados eu tendo a imaginar o pior. A pressa de chegar não sei bem onde me faz sair correndo e não dá pra correr sozinho em algo que seja construído à dois. Chega um momento que eu paro e na minha frente não vejo nada, pra trás, escuridão. Me perdi em alguma curva e demoro até achar meu caminho de volta.

E a demora, pra um ansioso, é eternidade.

Por isso me afasto, me excluo, sumo e no final acabo desistindo por causa de situações completamente fictícias criadas na minha cabeça. A ansiedade chega a assustar.

E ansiedade, já desisti de te fazer sumir. Aceitei que você sempre vai tá por aqui e não vou entrar em queda de braço contigo, tu costuma ser mais persistente que eu nesses jogos. Você é força bruta e eu preciso ser inteligência.

Hoje você vai tomar um remédio pra me fazer dormir, amanhã é um novo dia e aos poucos vou te mostrar quem manda aqui.

@brunoamador

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