Eu não to bem

Esse provavelmente é um dos textos mais difíceis que já escrevi e de verdade, não sei se vou postar. É muito difícil expor tanto da minha vida nessas linhas, mas eu sinto que muito do que mostro é uma realidade escancarada que qualquer pessoa consegue enxergar, então nunca tive grande problema.

Entretanto, por mais que sempre escreva sobre sentimentos dificilmente escrevo como EU estou me sentindo, não costumo ser uma pessoa muito aberta, mas quem me conhece, me conhece. Quem me conhece percebeu nas palavras, percebeu no meu olhar, percebeu no meu corpo, a verdade especialmente dura que vou digitar na próxima linha.

Eu não to bem.

E não é de hoje, isso vem se arrastando há alguns meses, mas era quase como uma dor crônica, se fazia presente, me incomodava, mas não chegava a causar grande impacto no meu dia a dia. Mas a dor cresceu e resolvia aparecer sem muito aviso prévio. Não importava muito se eu estivesse sozinho ou rodeado dos meus amigos, quando ela chegava eu simplesmente me isolava. E então ela eventualmente passava.

Só que de pouco em pouco me minava, como um vazio que crescia cada dia mais até que um dia, absolutamente do nada, eu não conseguir ir trabalhar. Simplesmente não tive força pra sair da cama, esse vazio, esse desânimo, essa merda, não me deixou levantar. Você tem alguma ideia do tamanho disso?

As pessoas que me conhecem sabem como lido com frustrações, eu luto e faço tudo ao meu alcance pra levantar, simplesmente não desisto. Naquele dia, por um breve momento, desisti.

Então é, eu não to nada bem.

Por mais que tente construir muros pra impedir os pensamentos, eles vêm. Cara eles aparecem de todas as fontes que você conseguir imaginar. Fotos, músicas, filmes, comerciais, mensagens e até da falta delas. Eles vêm quando você olha a tela do celular e não vê nada. Eles vêm quando você viaja e não enxerga alguém do teu lado. Eles vêm quando eu ligo o computador, quando eu chego no trabalho, quando entro no metrô. Eles vêm no meio de uma festa porque você bebeu um pouco mais e os muros, as paredes, as contenções, simplesmente sumiram.

Então eu parei de olhar o celular. Eu parei de viajar. Eu parei de beber. Mas eu continuei vivendo.

E eles inevitavelmente vêm. Quase como um soco no estômago, um empurrão bem no meio do peito me joga pra baixo, acelera meus batimentos e coloca todo meu corpo em estado de fuga. E eu quero fugir, só não sei de que. De quem.

As músicas alegres deixaram de fazer sentido, os filmes de romance? Uma mentira, não quero mais sair, não quero

mais falar, a única vontade é de sumir.

Então eu sumi. Eu fugi.

Corri, levantei peso, resolvi ir pra academia. O suor, o cansaço serviram como uma espécie de escape pra toda essa coisa. E eu digo coisa por realmente não saber jeito melhor de definir.

Mas eu ainda não to bem.

Porque sei que o êxtase é passageiro e não vai demorar até a sabotagem aparecer de novo. A mente humana é algo maravilhoso, mas – no meu caso – extremamente volátil. Basta um, um sopro, uma foto, uma frase, um minuto pra toda essa dor me bater de novo.

E de verdade, ela bate.

Então eu pedi ajuda.

Pros meus amigos, pra minha família, meu Santo Cristo eu apelei até pra religião, mas nada adiantou. Porque essa coisa não é compreensível, não é racional, as pessoas falavam comigo, me aconselhavam e eu os ouço, mas a mensagem não entra. Algo ali dentro resolve descartar qualquer tentativa de apaziguar, é literalmente uma autossabotagem.

Até que pela primeira vez em muito tempo resolvi fazer a coisa lógica. No psicólogo eu entendi.

Eu não to bem. E tentar esconder, fugir, ignorar isso não vai resolver.

Entendi que eu não to bem e isso é algo que preciso aprender a lidar e não ter vergonha de admitir.

Me afastar, bloquear, excluir não é infantil, não é criancice. É necessário. Tão importante quanto isso tudo é aceitar a ajuda. Remédios, tratamentos, o que puder acrescentar é bem-vindo.

Eu não to bem, não to nada bem. Mas vou fazer tudo ao meu alcance para melhorar.

E de verdade, não deixa ninguém te impedir de fazer isso também.

Nada é mais importante que a sua sanidade mental.

@brunoamador

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