Me dá um beijo

Não é a primeira vez que te peço isso, mas como esperança é a última que morre. Aqui vou eu de novo.

Respira fundo, enche esse peito e ignora o que a razão te dizer. Existem coisas que são preciso sentir e já faz um tempo que eu quero sentir a tua boca na minha. É um desejo cíclico que quase sempre surge repentino em algum encontro nosso, sempre como amigos, não daquele tipo colorido, porque a vida é de vez em quando é injusta e nunca deixou nossas cores florescerem.

E olha que a vida já me deu cores. Vermelho, amarelo, verdes, azuis e castanho, mas foi o teu tom de pele que nunca passeou pelos corredores tão gelados da minha casa. Talvez reservando um espaço pra ti, minha aquarela sempre pareceu um pouco incompleta. Falta o tom de vermelho que a tua boca vai me deixar, o moreno da tua pele e o preto tão peculiar dos teus olhos.

Peculiar também é a nossa relação, desejo nunca faltou, mas oportunidades, não consigo pensar em uma. Já fantasiei, já sonhei e já expressei por aqui, mais vezes do que gostaria de admitir, os nossos encontros em circunstâncias propícias. Como eu imagino a tua mão envolvendo meu pescoço e a minha descendo devagar pelos contornos da tua cintura.

Curvas sinuosas e altamente perigosas que trazem à tona o pior que há dentro de mim. Um fogo que vem de dentro e queima pelos meus olhos, não nego que por mais de uma vez senti um frio na barriga ao ver o teu rosto se aproximar do meu. E o engraçado é que todo esse desejo é recíproco.

Antes resolvia se manter escondido, questões de convenção social, a gente não queria parecer tão fácil, mas depois de tanto tempo, não havia mais como esconder ou negar. Eu quero beijar você.

Então vem. Coloca o teu vestido mais solto, ou se achar melhor, vem sem nada. Já aceitei que não tenho condições de escolher, não me importa como venha vestido desde que o encontro me traga você. Você sem as amarras que a vida nos obriga a ter, sem vergonha, sem pudor e sem compromisso. Vem disposta a beber, disposta a sorrir e com o celular no modo avião. E quando os nossos olhos se encontrarem, quando o sorriso desaparecer e aquela mordida no lábio surgir no teu rosto, me beija. É isso que te peço, um beijo e nada mais.

Me dá o primeiro, que eu roubo o segundo, conquisto o terceiro e – juro que essa parte é muito mais pela graça – quem sabe eu te levo pro quarto.

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