Uma virginiana me trouxe primavera

Foi com um vestido florido que sua existência na minha vida começou. Sempre gostou de roupas sóbrias, embora nem sempre estivesse nesse estado quando a via. Por ser um pouco tímida, não queria que suas roupas chamassem muita atenção, mas sem querer atraia os olhares por onde passava. Seja por esbarrar em tudo, seja pela sua beleza. Quando não pelos dois.

Conseguir o seu número foi rápido, demorada eram suas respostas. A ponto de eu ter enviado cartas que chegaram mais rápido que suas mensagens. E eu não to brincando. Não que isso seja um sinal de descaso, mas ela é muito aérea e levemente desesperada. O número crescente de coisas para estudar pesavam na época de provas o que acarretava nessa demora. Mas não foi uma vez que a querida esqueceu de enviar mensagem e me chamou como se eu tivesse a ignorado. Ela é confusa.

E isso não se aplica só ao celular. Seus sinais não são claros e ela se esconde entre suas entrelinhas. Descobri-la é difícil, tanto no sentido figurado quanto no literal. Seu sono é pesado e não ouse tirar o cobertor para acordá-la.

Saímos algumas vezes e foi aqui em casa que se provou especial. Despida (ou quase isso) da timidez tão evidente em público, suas bochechas se rosavam conforme a noite avançava, seu sorriso entre um beijo e outro era o mais próximo que ela chegaria em ser clara no seus sentimentos, ao menos comigo.

Ela era inconstante. Sumia num dia, aparecia no outro e de vez em quando surgia numa festa. Talvez soubesse que assim garantiria seu lugar por certo tempo em destaque nos meus pensamentos. Que nem sempre eram de carinho. Não foi uma nem duas vezes que exclui seu contato do meu celular.

A questão é que as suas vindas quase sempre traziam primavera às noites de outono e inverno em que saímos. Ela era quente e colorida, seus olhos eram claros se vistos sob luz e escuros na falta deles, suas bochechas quase sempre vermelhas, ficavam ainda mais depois de alguns copos ou elogios e seus vestidos davam o ritmo da noite. Com flores ela traz calor, com claros traz um ar leve e os escuros eram quando ela quer te matar do coração.

Já disse isso, mas vale a pena repetir: A virginiana é verbo transitivo, conjugada em todos os tempos possíveis. Ao seu lado ela é presente, quando for embora é pretérito perfeito e se voltar, mais que perfeito. Por saber que não existe encaixe perfeito, se molda de acordo com o sujeito.

Embora em constante mudança, nunca perderá sua essência.

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Bruno Amador – clique para me conhecer melhor.

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