Meu coração tem medo

Já fui chamado de “lixo”. Não uma vez, nem duas. Já disseram que eu era dissimulado e que deveria parar de iludir as pessoas. Achei aquilo ultrajante, como poderia eu estar sendo acusado de alto tão sério assim? Revendo minhas últimas atitudes, não conseguia pensar em algo que pudesse ter feito para chegar a ser xingado e odiado a esse ponto. Na minha cabeça, simplesmente parecia normal eu largar alguém de repente, começar a me afastar, não dar satisfações. Eu estava solteiro, a princípio.

Lembro que quando tinha meus 17 anos achava que ir ao cinema com alguém já era sinal de casamento. Evitava ao máximo qualquer contato muito profundo com alguém que eu não considerasse o amor da minha vida. Tinha medo de machucar a pessoa, me machucar, perder tempo. O engraçado é que com o tempo, esse medo não passou. Olhando para trás, seria normal pensar que era um medo de criança, de quem ainda não viveu algumas experiências necessárias ao amadurecimento. O problema é que o amadurecimento só confirmou o que sempre senti.

Não fui embora em vão, sem mais nem menos. Fui embora porque uma menina que gostava muito dava para um de seus melhores amigos enquanto ficávamos. Fui embora porque ambos sabiam, mas eu não. Fui embora porque diversas vezes esse amigo dormiu na minha sala pós roles, enquanto eu estava com ela no quarto.
Também fui embora porque outra moça se apaixonou por mim e em um final de semana fora, decidiu que aquilo não era pra ela, terminando comigo por mensagem. Nunca mais a vi.

Posso ter ido embora pela vez em que servi de consolo porque o ex-namorado não estava no Brasil e eu já não era necessário quando voltou. Ou pela vez em que me confirmou que era apenas brincadeira o fato de chamarem você e seu amigo de casal enquanto a gente ficava e acabei descobrindo por outras pessoas que toda brincadeira tem um fundo de verdade.

Nunca dei ponto sem nó. Não seria na vida amorosa que eu faria isso. Peço desculpas antecipadamente a qualquer futuro amor, pois deve ser difícil lidar comigo. Só quero que saiba que a vida já bateu muitas vezes e meu coração, de bobo não tem nada. Apenas se moldou pelo que foi feito dele.

Lucas Fiorentino

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