Não precisa ter medo de se entregar

Ei, relaxa. Não precisa ter medo. Pega a minha mão e deixa eu te guiar, sei que o teu passado pode não ter sido tão bom, mas eu vou te dar um presente, o futuro. Posso parecer meio desengonçado e embora já tenha quebrado muitas jarras e copos, sempre fui muito bom em lidar com corações. Então confia em mim, pega a minha mão e vira à direita. Vamos sair logo desse elevador e bora pro meu carro.

Sente a grama no teu pé e como a brisa bate suave no teu rosto, o Sol nascendo ilumina o chão meio gelado por causa da relva que caiu durante a noite. Essa estradinha foi batizada de início, porque é aqui que tudo começa. Não tinha como eu bolar algum nome mais criativo, desculpa. E é bem tranquila passar por ela, o GPS manda ir reto por ser o caminho mais rápido, só que seguiremos pela esquerda, vamos curtir um pouco esse momento. Ele ajuda a criar a solidez pro que está por vir.

Vai com cuidado agora, ok? Tem uns buracos por aí e acredite quando eu digo que seguir em frente com um pé torcido é foda, mas relaxa que se acontecer algo, te levo de cavalinho. Essa parte de estrada eu chamo de pé atrás, porque é aqui que as pessoas começam a voltar atrás. Fecha o olho, porque o vento vem forte e levanta a poeira do chão, não solta a minha mão, aqui é onde começamos a gerar confiança.

O Sol começa a se pôr e além de ter buracos, a estrada fica meio enlameada, dá pra ver a sua altura subindo porque você pisa com a ponta dos pés. Agora é uma das piores horas, é aquela hora que você começa a pensar. Pensa se realmente vale a pena os pequenos sacrifícios que você vai fazer. Por falta de nome melhor, batizei essa parte de reflexão. Você pensa nos teus amigos e tenta imaginar como vai conseguir arranjar tempo pra tanta gente na sua vida, isso sem falar nos estudos, trabalho, sua cabeça começa a doer e sua mão se solta por um segundo da minha.

Te puxo de volta, olho no teu olho e digo para seguirmos em frente, te prometo que valerá a pena. Devagar você retoma o teu lugar ao meu lado e em silêncio, continua indo reto. Dessa vez pisa com o pé inteiro no chão, te sinto mais segura.

A noite cai e a gente não consegue ver um palmo a frente, até que a Lua surge e nos mostra o caminho. Com um sorriso no rosto te digo pra olhar pra cima e deslumbrada você observa as estrelas. Me perco por um segundo no reflexo delas nos teus olhos e mantemos nossa caminhada, um pouco mais lenta, como se ambos quiséssemos aproveitar a companhia um do outro. Com a cabeça reclinada no meu ombro você me conta tudo, dos teus medos, traumas, erros e acertos e embora já saiba boa parte deles, sempre gostei de ouvir a tua voz.

Chegamos. É o topo de uma colina. Daquelas que todo mundo deveria visitar uma vez na vida, temos a cidade aos nossos pés e de um lado prédios que parecem de miniatura, do outro um lago, daqueles bem simpáticos. Você senta na minha frente e deixa meus braços te envolverem, encostada entre minha cabeça e o meu ombro, você para de falar por um instante e eu peço pra deixar o seu corpo relaxar.

Não precisa ter medo de se entregar. Eu te garanto que se um dia eu te fazer chorar, será de rir.

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Bruno Amador – clique para me conhecer melhor.

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