Você é parte do show

Como num filme, numa dança, num espetáculo qualquer de arte que lhe agrade. Como na vida. Como na primeira vez de tantas experiências que vivemos e como nas outras vezes que repetimos. A pessoa, a inspiração, a fonte de tudo que queremos transmitir quando escrevemos é uma pequena parte de nossas vidas. É como um personagem secundário numa peça de teatro sim, porque o protagonista somos nós mesmos.

Vejo que, para muitas pessoas, escrever sobre amor, fazer poesia sobre nossas paixões, cantar todas as emoções que vivemos, acabou por se tornar algo fútil. Somos levados pelo balançar emocional, somos inconstantes, ás vezes temos mais inspiração num dia do que em outro. Trabalhamos com prazos que quase nunca são cumpridos, por causa desse vai e vem de sentimentos. Entretanto, para muitos, somos como grandes conspiradores que escrevem premeditadamente para conseguir algum objetivo.

Já cansei de ouvir diversas vezes que eu escrevo pra pegar mulher, que a vida não é tão difícil como retrato, que eu exagero pra que quem leia fique sentimental e abrace meu ego. Nunca escrevi, no entanto, sobre isso. Sobre o sentimento ruim que é pensar que as pessoas olham para o que você faz com um desdém característico de tantos outros demais que veem por aí.

Não existe uma análise sobre se o que você faz é bom ou ruim. Não existe nem a leitura. E se não existe leitura, não existe o mínimo para poder interpretar um texto.

Não julgue um livro pela capa, o ditado é mais que certo. Antigo, repetitivo, mas sempre correto. Escrevemos pelo que sentimos e não batemos de frente com críticas que nos fazem quando se referem aos textos em si. Problematizações de textos confusos, temas estranhos, etc e tal. Isso tudo é válido. Agora, o que escrevemos é apenas parte do que vivemos, e não um todo. Não somos máquinas de escrever para agradar alguém. Não somos robôs que persistem na tentativa incessante e ignorante de conquistar alguém (romanticamente falando) através da escrita.

Olhe por trás do que se escreve, e veja quem realmente é o escritor.

Fica a crítica aqui não só para o que eu faço, mas para todos que se esforçam em alguma coisa que gostam e veem que recebem críticas fúteis, muitas vezes nem tão relacionadas com o seu trabalho. É um baque isso, machuca ás vezes, mas a gente acaba engolindo e aprendendo a contornar. Só que se torna chato quando isso parte de pessoas próximas, de admiradores, e quando a brincadeira tem um fundo de verdade.

Você é parte do show, baby, mas o espetáculo está longe de virar todos os holofotes para você.

Lucas Fiorentino

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