Ela só não tem juízo (e isso não é um defeito)

Nos conhecemos em uma noite qualquer. Daquelas que você não dá nada e acredita que vai ser só mais uma. Mas, a melhor sensação é poder ser surpreendido por acasos da vida que nos são apresentados de repente. Eu passei pelo segurança do lugar (que nem vem a calhar ser citado, afinal, ele não é o centro do texto). Foi lá que eu consegui avistar, após passar por uma persiana escura, a dona da noite.

Ela não tinha qualquer preocupação em não tomar a pista pra si mesma. Suas passadas e seu cabelo longo esvoaçando no meio das luzes de neon eram como parte do ambiente. Mas, não uma parte qualquer, não um canto de cenário. Ela não era seu amiguinho de escola que interpreta uma árvore no teatrinho da sala, e sim, a atriz principal. Tudo parecia girar em torno de sua sutileza, tudo era como num filme quando ali entrei.
Geralmente, eu diria estar enganado logo de cara, porque costumo julgar pessoas antecipadamente e estar totalmente equivocado (tanto pra aspectos ruins quanto para os bons). Mas, esse não foi o caso.

Nos conhecemos aquele dia, ela era amiga de um amigo meu. E isso basta pra saber de história. O ponto é que o seu jeito me cativou de um jeito que qualquer um que leia o texto aqui sendo escrito, vai conseguir me entender.
As outras mulheres que conheci possuíam uma timidez que as impediam de seguir em frente em tomadas de decisões mais ousadas. Ela não era assim, muito pelo contrário. Sua paixão pelo risco, pelo inesperado, pela ansiedade em descobrir o que a vida guardava pra sua caminhada, tudo isso, eram paixões que me conquistaram dentro da sua personalidade.

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Ela não tinha juízo. Muito menos do que eu tinha. Era uma máquina de espontaneidade. Fazia pequenos desafios consigo mesma no dia a dia, gostava de desafiar os outros também. Mexia com sua personalidade ao longo do tempo, botava você pra correr se não ficasse esperto o suficiente com seu jeito de pensar. Era a pessoa que saía de casa sem saber que horas voltava, mais precisamente, que dia voltava. A pessoa que descobria trilhas novas no caminho pra faculdade, que fazia de uma noite comum, um antro de estrelas novas que podiam ser coloridas. Não era só mais uma, era a única que conheci.

E isso fez de mim um pedaço de sua alma. Ela já não conseguia viver na monotonia, presa ao que o mundo reservou pra todo mundo que se acomoda no mesmo sofá todos os dias. Sua leveza era um sinal de que havia sido feita pra voar, mas ainda estava se preparando pra alçar esse voo. Um dia, fui avisado, em poucos minutos. Ela iria partir. Iria seguir sua vida sem juízo e sem estribeiras. Sem muros e correntes. Sem perigos (pelo menos em sua mente). Eu apenas aceitei.

Era uma felicidade falar dela depois de tudo que passamos, e não um peso. Foi a pessoa que me mostrou que insegurança e insensatez não necessariamente são opostas, mas podem conviver juntas em alguém que esteja passando por algum momento difícil. Ela, no entanto, segura e sensata, era mais louca que qualquer um ali nas festas de sábado a noite. Foi num sábado que a conheci, num sábado a vi partir.

E isso, já basta de saber. Só seja livre se voar.

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