Não a impeça de ser livre

Ela nunca foi uma pessoa de ficar muito tempo, dois meses eram o seu limite. Até por isso nossos encontros quase sempre eram marcados por beijos épicos, a gente não sabia quando isso poderia acontecer de novo então dávamos tudo que podíamos naquela hora juntos no meio da balada, nas escadarias de algum prédio ou nos nossos quartos. Não éramos de falar muito, “se para bom entendedor meia palavra basta, para nós basta um quarto” – o slogan do blog não foi baseado nela, mas bem que poderia – e de tantos quartos acabamos construindo a nossa história. Cheia de pausas, de vírgulas onde deveriam haver pontos e de parágrafos muitas vezes mal colocados. A gente virou Supernatural, deveríamos ter acabado na 5ª temporada, mas foi tão bom que resolvemos continuar.

Ela? Tinha a feição juvenil da Lily Collins e um olhar marcante que acabava se destacando por causa dos seus olhos. Claros como o céu, fundos como o mar, traziam consigo histórias e por vezes pareciam carregar o peso do mundo, ficavam vermelhos no fim da noite porque a lente começava a irritar e não importava o quanto eu insistisse, ela preferia morrer a usar óculos. Tinha essas crises existenciais de vez em quando, às vezes vinha me falar que estava muito gorda e resolvia começar uma dieta só de proteínas, ficava mal humorada por causa da falta de açúcar e acabava a semana com um pote de sorvete na mão.

Às vezes ficava maluca com o tamanho dos seus peitos e botava na cabeça que ia pôr silicone, tirar seu sutiã virava uma batalha nesses dias. Isso quando ela não colocava na cabeça que queria mudar de cabelo, tingia as pontas e chegava em casa chorando “eu tô ridícula Bruno, não vou sair de casa hoje”. Essa última crise quase sempre acontecia nos dias que a gente ia se ver.

Um pouco leonina, ariana, pisciana e totalmente apaixonante. Acreditava em signos, mas não acreditava quando eu jurava de pé junto que não tinha beijado ninguém na noite anterior. Não que ela fosse ciumenta, muito pelo contrário, gostava dessa nossa liberdade, mexia no meu cabelo pela manhã e no meu estômago à noite quando entrava no bar com aquele vestido azul. Me fazia rir com a constante batalha entre ela e sua franja, às vezes presa, às vezes solta, mas sempre linda. Ela era assim, uma constante mudança com um aspecto em comum entre todas elas, sempre conseguia ficar estupidamente linda.

Usava as minhas roupas melhor que eu, outro dia ela fez um vestido com uma camisa xadrez que estava há séculos no meu armário, eu não teria notado se mais tarde não tivesse penado pra entender como que iria tirar aquilo do corpo dela.

Eu gostava de chamá-la de minha, minha pequena, minha magrela, minha linda. Mas possessivo entre nós era só o pronome mesmo. Ela não nasceu pra ficar presa e até por isso insistia em me dar beijos de despedida cada vez que saía do carro, mordia meu lábio, olhava no meu olho e sorria, sua marca registrada antes de fechar a porta e caminhar escadaria acima de volta ao seu apartamento. E nem por isso amava pela metade, ela era arte, poesia na fala, música no riso, pintura no rosto e crônica, cronicamente intensa em tudo o que fazia.

Esses dias ela se foi, não me disse pra onde, mas garantiu que voltaria. Levou consigo um pouquinho de mim, aquela parte gostosa que todo mundo gosta de ter, levou um pouco do meu sorriso, dos meus beijos e como sempre, do meu coração. Em troca resolveu deixar alguns fios espalhados pelo meu travesseiro, fotos no meu celular e novas histórias pra contar.

Ela é passarinho, feita pra voar livre. Crie asas para acompanhá-la.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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