Dueto

Uma semana depois marcamos de nos ver, dessa vez sozinhos. Não fomos ao bar, não fomos ao cinema, fomos ao Terraço Itália. Ele quis inovar, inventou muito e depois ficou à base da subsistência durante o resto do mês, pra alguém todo envolvido com finanças e o escambau não foi uma atitude muito esperta, um cinema já me agradaria.

Eu quis ir além de cinema, quis criar um clima único para uma pessoa única. Até parece fofo.

Os 7 dias que conversamos foram fora do comum, sabe quando o Santo bate? Foi isso, nossos pensamentos se completavam e era lindo. Em um tempo que fotos duram no máximo dez segundos, ter mais de 50 mídias com a pessoa em uma semana prova o tamanho da empatia.

 

Um garçom super simpático veio nos atender, “boa noite ao jovem e lindo casal” ele disse, nos trouxe o menu e sugeriu um prato. Após uma breve discussão sobre o preço concluímos que aquele era de fato o melhor prato e se não fosse o melhor não descobriríamos, porque ia ser aquele mesmo, um macarrão cheio dos enfeites, parecia e era gostoso.

 

Ele pediu uma cerveja toda estranha e eu só queria um suco, ambos tínhamos saído na noite anterior, eu queria entender como o corpo dele aguenta a quantidade de álcool que ele ingere. Eu estava de ressaca, mas já estava falido mesmo, ao menos queria ser um falido feliz. Pedi uma Erdinger. Ele ficou segurando a minha mão enquanto conversávamos, achei fofo.

Conversamos muito durante o jantar, principalmente sobre política, um assunto aparentemente chato, mas porra, o Brasil tá parecendo House Of Cards, o circo tá pegando fogo. Ele explicou suas opiniões, não queria Dilma, não queria Aécio, ele só queria mudança, não se conformava com a ideia do mesmo partido ficar dezesseis anos no poder, sempre pensava no lado da economia e me dizia que o mercado nunca iria por fé em um país assim. Ela fingiu que entendeu o que eu disse e concordou, mudei o assunto para séries.

 

Descobrimos que víamos diversas séries em comum e a discussão girou em torno de: Ross e Rachel. Ela concordou com a ideia do Ross levar toda a culpa por ter ficado com outra garota enquanto ele e Rachel haviam “terminado”, sim ela fez o sinal de aspas com os dedos. Ele defendeu que o Ross não havia errado, porque eles tinham terminado. SEM ASPAS. Fiquei puta.

 

Nesse momento o garçom olhou pra mesa rindo, não era muito mais velho que nós devia ter os seus 24 anos, provavelmente estava se divertindo com a discussão, até pediria a opinião dele, mas ela ficou claramente meio alterada, então eu bem rápido mudei de assunto. Ele acha que eu não percebi a mudança repentina de assunto, mas acatei, gostava de conversar com ele.

 

Começamos a falar de uns amigos que tínhamos em comum e soltamos uns podres deles, uma das melhores partes de estar com alguém que confia é essa liberdade de falar qualquer coisa tendo a certeza de que ela não sairá dali. Ele soltou umas coisas absurdas de umas amigas minhas, vou precisar rever uns conceitos.

Chegamos umas 21 e já eram mais de 22, resolvemos pedir a conta e depois iríamos para a casa, mas antes passamos na parte aberta do terraço e ventava absurdos. O cabelo dela começou a voar pra tudo que é lado e eu admito que achei uma graça ela tentando prendê-lo. Eu não conseguia prender o cabelo e o filho da puta ficava rindo da minha cara. Cheguei perto dela e tirei uns fios que estavam no rosto dela, ela sorriu e o resto eu nem preciso falar né? Caixa. Nada a acrescentar sobre a frase anterior, só que caixa é o cacete, me respeitaEla fica linda brava. Idiota.

 

Nos perdemos um pouco na volta pra casa. Ela não conseguia dar instruções do Waze. Waze é muito difícil. Rodamos horas por ruas desabitadas dessa megalópole chamada São Paulo, não achávamos de jeito nenhum o caminho para a digníssima cidade que morávamos. Ai que drama, a gente só ficou cinco minutos sem o GPS. O texto é meu, não enche. O texto é nosso. Ok.

 

Chegando de volta na ilustríssima cidade de São Caetano do Sul tivemos uma ideia brilhante, passar em casa. Passamos na casa dele, eu já sentia as segundas intenções de longe. Eu juro que fui na inocência de uma criança. Uma criança meio pervertida, só se for. Ok, fodasse eu tava nas segundas intenções mesmo, você ficou me encarando o caminho inteiro e essa saia não ajuda. Nada a acrescentar. Entramos no maior silêncio possível para não acordar a minha irmã, mas ela estava na sala com umas amigas. A irmã dele estava na sala, fiquei roxa.

 

Ela morreu de vergonha, foi divertidíssimo. A apresentei para a minha irmã e fomos para o quarto. Entramos no quarto já fechando a porta, ela virou pra mim com um sorriso de quem iria aprontar. Pode parar… A encostei na parede e… Ok deu, pode parar essa história já, fofo. Quer que eu pule pro dia seguinte? Não… melhor deixa esse pra outro texto.

 

A ideia foi dela, não minha.

 

Esse texto terá uma continuação na quarta que vem e pode ser acompanhado por aqui ! E só foi possível graças a nossa parceria com a dobra, essa história não teria acontecido sem a ajuda deles ❤

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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