nota sobre não gostar de baladas

Eu juro, já tentei. já fui a várias diferentes, em muitos cantos da cidade. Mas é oficial: eu não gosto de balada.

Até que parece divertido quando você confirma presença no evento do Facebook, ou quando todos os amigos topam. a parte de se arrumar, então? A melhor. Dá sempre um ânimo a mais ter um motivo para botar aquela roupa que é um lacre só e encher a cara de glitter e batom colorido. Você sai, linda e maravilhosa de casa, prontíssima para arrasar.

Mas, ao pisar para fora, começa a fincar raiz aquele famigerado sentimento entranhoso, mais conhecido como preguiça.

Para começar que é sempre longe (no meu caso, pelo menos). ou você gasta uma porrada com uber, ou você respira fundo e pega todas as etapas do transporte público às onze da noite. a cama vai ficando cada vez mais distante — e cada vez mais sedutora. Durante o trajeto, tudo que você quer é morrer, enquanto pega o último metrô antes da meia-noite.

Chegando lá, tem uma fila de sair correndo. Não importa o horário que você chegue. se chegar às dez da manhã, vai ter fila. ou assim parece, pelo menos. Você e suas pernas ficam de pé na fila e alguém pisa no seu pé. começa a chover. A fila não anda. Qualquer uma das alternativas acima. Mas você persiste, confia na descrição do evento no Facebook que prometia um arraso de balada, e espera. E entra.

Tá tocando uma musiquinha legal, você até esquece que estava com preguiça, tem open bar de qualquer coisa e muitas luzes coloridas e o banheiro ainda está usável. Você resolve dar uma chance para aquela breja que está te namorando no balcão e dança até o sol raiar!

Digo, até uma da manhã. Foi isso que quis dizer. A partir desse ponto, você, alma velhinha que é, já está caidíssima de sono e com dores em todos os músculos de suas pernas. O famoso truque de trocar o peso de uma perna para a outra nem funciona mais. As pessoas já estão bêbadas demais, muito mais do que você, e o banheiro está cheio de gente botando as tripas para fora. Assim como o lixo. E o chão da pista de dança mesmo.

Você quer muito ir embora, mas seus amigos querem ficar, e o uber é caro, e o metrô tá fechado. A claustrofobia ataca. Ataque de bocejos. Dá fome, dá dor na coluna, tudo que você quer é um sofazinho para sentar, mas tem alguém apagado nele.

Que pessoa sortuda.

E aí você promete pra si mesma que nunca mais vai para a balada, porque sempre chega lá querendo ir embora, mas também sabe que vai ceder à pressão do grupo mais cedo ou mais tarde novamente, então só suspira e encosta na parede para sobreviver.

Eu juro que tentei, mas não deu.

Da próxima vez, vou ao bar, sentar e falar da vida, e vou chegar em um horário razoável em casa, me esparramar na cama e morrer de sono.

Mal aí.

Mariana Moro

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