Ah, as paulistas

Surgiu como flor em meio ao concreto, trazendo cor à imensidão cinza que a cerca, seu riso inconfundível destoa dos sons de buzina e obra da cidade sempre crescente ao fundo, é luz na escuridão da noite e perfume nas marginais, sua presença traz beleza até ao minhocão. Já se adaptou com as brincadeiras que o clima da grande metrópole lhe faz, sempre sai de casa com alguma blusa na bolsa e caso esqueça, sempre tem um amigo para lhe emprestar, a mulher paulistana consegue o que quer.

Garota da noite, na ausência de luz ela é destaque, possui um brilho facilmente visto embaixo de cobertores ou em baladas, suas mãos são como pincéis e por falta de telas melhores fazem pinturas em costas e corações alheios, deixando gravado na pele os resultados do encontro e cravejado no coração um pouco do seu ser, só pra garantir companhia caso os cobertores estejam frios ou a balada muito vazia.

Seu andar é elegante, como se tivesse passado por alguma aula de etiqueta, até ela esbarrar em algo ou desistir do garfo e faca comendo a pizza com a mão, imagino que essa fora a cena imaginada por Caetano quando ao dizer “da deselegância discreta das tuas meninas”.

A cidade se harmoniza com o seu ser. Seu jeito extrovertido destoa de todo esse caos, sempre traz um pouco de alegria quando chega, tem uma capacidade sem igual de arrancar sorrisos, provavelmente por causa da sua simpatia que a permite transitar em todas as tribos possíveis. Seu WhatsApp é o símbolo da ecleciticidade paulistana.

Anda com um álcool em gel na bolsa para limpar as mãos depois de sair do ônibus, mas não pensa duas vezes antes de comer o pastel frito no óleo mais suspeito que já existiu, isso sem falar no cachorro quente da madrugada, a cor da salsicha se perde em meio a tanta cobertura, ainda bem.

Sabe de cabeça algum canto da torcida da faculdade, odeia o mackenzie – caso não estude lá – e acha que só tem coxinha na ESPM – caso também não estude lá – só que não perde a oportunidade de ir em alguma festa se o preço for concebível com a realidade né. Eu até ia falar da PUC, mas eu não consigo definir o povo de lá. Óbvio que existem mais faculdades, mas não caberiam todas em um parágrafo.

Caso não tenha feito faculdade por aqui, carrega no peito um time de coração, odeia o Corinthians ou o Palmeiras, simpatiza com a Portuguesa, faz piada com São Paulino e não vou comentar do Santos, só falo de time grande.

 

Já quis passar por cima de algum carro no trânsito e tomou susto com o escapamento da moto, se perdeu no metrô e desistiu do ônibus – porque eles estavam de greve – e pegou um uber, tendo que desviar de algum núcleo de taxistas enfurecidos. Já saiu da noitada direto pra uma padaria e faltou no trabalho ou na faculdade pra ir em festa.

E mesmo com tanta coisa em comum, as mulheres paulistas são únicas, algumas têm um sotaque interiorano, outras aquele sotaque típico, alongando o “m” e o “n” isso sem falar nas que têm sotaques de outras regiões, porque aqui em São Paulo, você tem amigo de todos os cantos do Brasil, é onde a amazonense se encontra com a gaúcha numa mesa de restaurante japonês que o dono é baiano.

Ela é multitasking e provavelmente usa algum termo em inglês no seu dia a dia, sai do trabalho e vai pra faculdade, almoça no escritório, janta na sala de aula e arranja um tempinho pra exercitar o corpo, sua mente vive um caos, seu corpo provoca o caos. Deita tarde, acorda cedo e abre esse texto no celular, porque não tem tempo pra mexer em computador. Não vê a hora do final desse parágrafo, para finalmente poder estudar pra prova que tem amanhã na segunda aula.

Ela é paulista, flor no asfalto, arte no concreto, pintora de sorrisos.

Eu sei que você não vai abrir os cadernos.

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Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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