Meu amor mora do outro lado da rua

Seria lindo se não fosse trágico, saber que o meu amor mora do outro lado da rua e que, toda noite, eu posso admirá-la pela minha janela, de uma posição privilegiada. Talvez um dia eu tome coragem para mandar um oi, daqueles bem gritados, de chamar a atenção errada de quem tá passando desatento na rua. Desde que chegue até a sua janela, tudo bem, eu não me importo com o resto.

Essa noite ela parecia feliz. Colocou uma música e não me deixou dormir. Sim, era tão alta que chegava até mim, mas eu nem ligava. Imaginei que ela quisesse compartilhar comigo. Queria que alguém ouvisse suas canções e descobrisse que maravilha de gosto musical ela tem. Afinal, quem nunca quis isso?

Não resisti, tive que ir até a janela para ver a sua felicidade. Pela cortina, conseguia vê-la dançar. Uma dança agitada, rodada, daquelas que tomam todos os espaços do quarto, mas ainda assim, uma dança suave. Provavelmente estava de meias, pela hora da madrugada, e seus pés batiam no chão fazendo sonzinhos abafados. E ela ia para lá e para cá, sem parar, até tropeçar. Nesse momento, não consegui segurar minha risada, fazendo com que ela virasse para onde eu me encontrava. Seu semblante era bravo, ela com certeza não tinha gostado. Fechou a janela e a música parou.

Me senti meio babaca por ter estragado a diversão da minha noite, mais ainda por poder ter estragado tudo com a pessoa que nem conhecia e já achava sensacional. Meu amor mora do outro lado da rua, e eu aqui, sentado na janela, esperando-a aparecer pra dar a graça do seu ar.

Mais uma noite chegou, e eu senti falta de sons no silêncio que fazia ao luar. Até que ouvi um “psiu” vindo da fresta de minha janela. Era ela. Como havia subido ali, eu não sei, mas não ligo, não duvido e não pergunto. Ela entra trazendo seu celular até minha cômoda, coloca uma música mais animada e puxa a minha mão.

E a gente faz a festa dos sons abafados ao luar que cai. Eu não me importo de dormir pouco, desde que a gente estivesse se divertindo. Fui chamado de surpresa pra dançar de madrugada, mas eu mais tropeçava do que qualquer coisa. A gente “se sorriu” um para o outro e ficou nisso, uma harmonia de dois que faziam bem em se conhecer.

Meu amor mora do outro lado da rua, e eu nem sei dançar com ela.

Lucas Fiorentino – clique para me conhecer melhor.

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