Me encontra na catraca

Desce na Santa Cecília e espera um pouco a muvuca diminuir pra conseguir me achar. Acho que você ainda lembra querido que as 18 da tarde é horário de pico e a linha vermelha fica uma fervência só. Pensando bem me encontra na catraca, vou ser aquela de vestido rosa e sorriso bobo estampado no rosto. Quanto tempo faz desde a última vez que nos vimos? Uns quatro anos mais ou menos né? Já te alerto que algumas coisas mudaram dentro de mim e também pela cidade.

Tipo o metrô, teve a inauguração da estação Fradique Coutinho pouco depois que você foi pro Rio – viver a vida sobre as ondas – e desde então ficou mais fácil chegar nos bares da Vila Madalena. Agora a ressaca do fim de semana está só a algumas estações de distância. Também abriu uma temakeria e chopperia na avenida perto de casa que expandiu meus horizontes para combinação de japonês e bebida fermentada, depois marcamos de te apresentar lá. Porque essa noite você vai conhecer uma rua aqui na Sta Cecília que é incrível, me lembra um pouco a época da faculdade onde tinha aqueles aglomerados de barzinhos, a grande é diferença é que somos adultos e não precisamos mais ficar em pé pra beber.

Por lá a calçada é larga e cheia de mesas espalhadas por ela, outra vantagem de crescer é que a trilha sonora da noite não vem mais do carro de um Mauricinho fã de sertanejo universitário, porque no bar do Nelson só toca Maria Rita visto que ele gosta de um sambinha dos bons, já Dona Sonia do boteco ao lado prefere Ludmila e qualquer outra coisa que faça sucesso nas rádios.

Então vem me encontra e me conta sobre você enquanto temos por trilha sonora uma mistura de funk, samba, gargalhadas e estralo de copos americanos em brinde. Me diz como foi realizar nosso sonho de criança e morar de frente pra praia? Pra sobreviver você aprendeu a cozinhar outros pratos além de estrogonofe e macarrão ou ficou se alimentando só disso mesmo? E a saudades? Sentiu tanta de mim quanto eu senti de você? Porque garoto confesso que foi foda!

Principalmente nas horas de fazer texto. Quando você se foi tive que lidar com o português e aprender sozinha o momento certo de usar a crase (admito que ainda não aprendi), também restou pra mim discernir se minhas palavras eram boas o suficiente ou se não passavam de uma bobagem tediosa que faria bulas médicas parecerem mais interessantes (nessa tarefa me saí melhor). Porém mais difícil que ficar sem meu corretor, crítico e melhor amigo foi ter como consolo a bagagem de saudade que tu deixou pra trás.

Agora chega mais, vamos aproveitar sua volta pra sanar essas questões malucas que a distância fez surgir e também a sede que minha boca tá da sua. Falando em sede você ainda fica bêbado depois de 3 copos? Essa me responda bebendo. E curte bastante porque aqui o litrão é barato e, se ficar meio embriagado não precisa ter vergonha pois bom mesmo é deixar o sorriso escorrer solto. Então vai preparando o fígado, carteira, coração e em caso de dúvida não se perca só me encontra na catraca.

Manoela Amaral – clique para me conhecer melhor

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