Flavia

Ela sorria sem jeito quando a conheci, seus olhos miravam o teto e seu rosto se escondia atrás dos seus cabelos. Relutante, ela não queria me dizer o seu nome, dizia que eu não merecia ainda, sorri e disse que até o fim da noite ela me falaria, ela me encarou e mexendo no seu copo disse “agora você merece menos ainda”. Peguei um copo para mim e comecei a conversar com ela.

Perguntei onde ela estudava, com a resposta deduzi de onde conhecia o aniversariante, ela me perguntou de onde eu o conhecia, respondi que fazemos faculdade juntos e perguntei o que ela queria fazer na faculdade, me disse que não tinha nem noção, não se identificava com nenhuma matéria, “gosto de dormir” ela comentou, dei uma risada e falei que essa era uma coisa que tínhamos em comum, como eu sempre faço nessa situação tentei incliná-la para cursar administração, falei sobre o curso, como eu gostava das matérias, até que ela fez a pergunta tradicional “Mas não tem muita matemática?”. Disse que não, ela me olhou com uma cara desconfiada e disse “Hm, essa é a primeira mentira que você conta hoje”, sorri e disse que ela era muito perceptiva, “faz psicologia”, rejeitou a ideia “eu vou chorar junto com os pacientes”.

Ela me perguntou o porquê de eu cursar administração, falou que eu escrevia bem, deveria fazer jornalismo ou letras, fiquei surpreso por ela saber disso e disse que era injusto no ela saber tanto de mim e eu não saber nem o seu nome, “a vida é injusta” me respondeu, aceitei a derrota, perdi uma batalha, não a guerra. Respondi que esses cursos colocariam meu foco só na escrita, letras não faz escritor, faz crítico literário e professor, um curso diferente faz com que eu algo que todo escritor faz, abre a mente, é necessário mente aberta para escrever, ter pontos de vistas diferentes sobre a mesma situação, percebi que ela se interessou pela resposta. Disse que se ela merecesse ganharia um texto com seu nome, satisfeita ela respondeu “Ok, você ganhou pontos a primeira letra, é F”.

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Hoje às 18:15!

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As amigas dela a observavam do outro lado do salão, assim que notei isso acenei o braço pedindo para elas se juntarem a nós, sem entender muito o que estava acontecendo elas vieram, perguntei de onde a conheciam, me responderam que estudavam juntas, pedi que me falassem o nome dela, ela interrompeu bem rápido minha frase e disse que não era para ninguém dizer, porque eu ainda não merecia. Elas riram de mim e não falaram o nome, perguntei se ela era sempre assim ou o problema era eu, me responderam que ela só era assim quando ia com a cara da pessoa, gostava de conhecer bem os outros.

Olhei pra ela e disse “Hm, então quer dizer que você foi com a minha cara?”, ela ficou sem graça e pediu para uma das amigas trazer outro copo, comentou que eu tinha cara de nerd ao mesmo tempo que tinha cara de cachorro, isso deixou ela interessada, queria entender como isso funcionava, respondi que de nerd era só a cara mesmo, não sei estudar, não tenho paciência para isso, prefiro Netflix, “outra coisa que temos em comum” ela disse.

Perguntei se ela via alguma série, me respondeu que estava vendo How I Met Your Mother – meu amor por essa série já foi expressado em outros textos – “Mais uma coisa em comum, já mereço o nome vai”, ela ignorou o que eu disse e me lembrou “você não falou nada sobre a cara de cachorro”. As amigas dela olharam para mim com um olhar incriminador. Sorri e respondi que também era só a cara, comentei que como ela lê o que escrevo sabe que sou um romântico, ela retrucou “Eu só vejo álcool nos seus textos”, “É isso que vejo no seu copo, apenas escrevo o que vejo” respondi.

Aos poucos as amigas dela vão saindo, comentei que gostei delas. “Outra coisa em comum, também gosto delas”, me respondeu dando um no gole na bebida depois.

– Eu sei de mais uma coisa que temos em comum. Comentei.

– O quê? Ela perguntou levantando as sobrancelhas.

– Eu também gostei de você.

Sem graça ela sorriu e pediu meu celular, entreguei. Com o cabelo caindo no seu rosto abriu o bloco de notas e escreveu: Flavia, 11996866715. Ainda não eram nem onze horas. Seu nome é Flavia e me deixou sem palavras.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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