Vitória

Esse texto foi escrito ao som dessa música:

Tudo começou quando eu entrei na sala de aula e a vi sentada, ela era maravilhosa, não sabia seu nome, mas tenho uma tática infalível para isso, presto muita atenção na chamada, assim é só esperar a pessoa responder. Mas ela estava na sala errada, notou que seu nome não estava na lista, se levantou e foi embora. Fiquei sem vê-la por um tempo, até que uns três meses depois a minha irmã me manda uma mensagem “Você precisa ver a garota que entrou no meu curso”, pedi fotos.

Assim que recebi a foto entrei em choque, era ela, imediatamente respondi com uma súplica: “você precisa virar amiga dessa menina”, minha irmã é muito mais simpática que eu, isso não foi um desafio.

Logo na minha cabeça comecei a planejar como faria para ao menos ter meus quinze minutos de papo com ela, não precisava de muita coisa, só um simples encontro em alguma festa, de preferência com ambos levemente alcoolizados. Sempre pensava na possibilidade das coisas darem errado, caso acontecesse, jogaria a culpa no álcool e bola pra frente. Simples.

Imagino o pensamento que vem a cabeça de quem está lendo: “ele não tem nada pra fazer”, não mesmo, estava de férias. Eu tento me convencer de que é sempre bom ter material novo pra escrever, gosto dos sorrisos que arranco e toda a história precisa ter um pézinho na realidade. Pra minha sorte minha irmã tem a mesma forma de pensar que eu, misteriosamente no dia seguinte lá estava ela no mesmo evento do Facebook que eu, era algum aniversário, a sintonia da família é muito forte.

Só que antes mesmo do primeiro encontro surgiu um problema, a menina era quieta. Praticamente muda segundo relatos da minha infiltrada, isso seria um desafio novo. Eu sou uma pessoa quieta, um quieto tentando falar com outro quieto não ia dar certo.

O planejamento teve que mudar, um pouco mais de tempo seria necessário e talvez dois encontros alcoólicos pras coisas darem certo. O primeiro encontro seria pra conversar com ela tendo a minha irmã e alguns amigos por perto, só pra ser notado, no segundo a conversa seria mais ao pé do ouvido, entende?

A carteira de motorista mostra suas utilidades na primeira festa, dou carona pra minha irmã e ela, a parte do ser notado foi riscada da lista antes mesmo da festa – minha irmã mostrando porque veio ao mundo mais uma vez – não pude deixar de notar a atração de ambas, da minha irmã e da amiga por uma bebida que chamada “askov”, minha irmã viciada na vermelha, a amiga na azul. Adicionei a garota no Facebook depois da festa e fiquei à espera do segundo encontro.

Balada estava fora de cogitação como palco para esse segundo encontro, muito caro, muito barulho, bares também. As coisas estavam muito paradas aqui na cidade e eu sou extremamente ansioso, não tenho paciência para esperar e meus amigos queriam porque queriam algo para fazer, uni o útil ao agradável. Por que não dar uma festa? aluguei o salão do prédio, comecei a montar a lista de convidados, calculei quanto iria gastar e cabia no meu orçamento, disse pra minha irmã chamar quem quisesse, ela entendeu o recado e cumpriu seu papel perfeitamente.

Quando cheguei no supermercado, a segunda coisa que comprei, cerveja em primeiro lugar sempre, foram as ditas cujas Askov, azul, roxa, verde, vermelha, meu carrinho ficou a bandeira LGBT. Deixei tudo na geladeira e esperei meus amigos chegarem. Me posicionei estrategicamente no bar, assim eu conversaria com todas as pessoas.

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Vitória. 18:15 no blog 😉 #umquartodepalavras

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O salão estava relativamente cheio no momento em que ela chegou, mas a presença dela se faz notar, ela chama a atenção, não só pela beleza, carrega consigo um brilho que a destaca na multidão, gosto desse tipo de gente. Óbvio que ela pede a mesma bebida da outra festa, a servi. As pessoas começaram a ficar naquele estágio de alegria, incluindo a minha irmã, que tava pondo uma pilha absurda para que eu me mexesse logo, eu me aproximei, nunca havia conversado com ela e essa era uma das raras vezes que não sabia bem o que falar. Todo cara fica meio assustado quando tem que falar com uma garota bonita.

Mas o álcool, meu melhor amigo, fez a sua parte, ela não estava fechada como eu imaginava que ela seria, dava pra conversar e o melhor de tudo: ela era tímida. Eu amo mulher tímida, a combinação sorriso e bochechas rosadas são uma diversão pra mim. Não me lembro bem o que disse – algo que deixaria esse parágrafo muito mais interessante – por culpa da bebida, mas lembro que foram uns elogios, um papo furado, só pra arrancar uns sorrisos. As pessoas ao redor não tiravam os olhos de nós, e eu odeio muita atenção, gosto compartilhado pela Vitória. Resolvi ir com ela para fora, para um jardim que tem nos fundos do meu prédio.

Nos sentamos em uma mesa e não sei como, mas ela surgiu com uma taça na mão, me disse que havia pegado na cozinha, pedi para ela me mostrar onde, também queria uma. Entramos na cozinha e “sem querer” esbarrei no interruptor, ela tropeçou e caiu em cima de mim, a segurei pondo um fio de cabelo que estava caído em seu rosto para trás da orelha, ela ficou vermelha, aproximei meu rosto dela e meio sem graça deslizou sua mão por cima do meu ombro, me inclinei… E aí você já sabe né? Vitória.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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