Confidente

3 da manhã. Não consigo dormir de jeito nenhum. O som do chuveiro ao longe refresca minha cabeça mesmo que nenhuma gota d’água esteja caindo sobre ela. Eu não lembro direito como vim parar aqui, mas é tudo tão tranquilo. Só sei que ela está lá dentro, e logo mais ela estará ao meu lado, deitada no sofá. Nós dormiremos juntos depois de uma longa noite. Amanhã é segunda. Que dia horrível. Mas, o dia de hoje vale todas as segundas possíveis.

Eu não tive tempo de dizer a ela o quanto eu gostei de sair. Geralmente, quando a gente anda por aí meio sem rumo, é difícil encontrar alguém que interesse e faça com que a gente se abra. Eu, ao contrário das expressões idiomáticas, sou um livro fechado. Tenho preguiça de dizer aos outros o que estou pensando, porque sei que eles vão reagir a isso, e aí eu teria de dar mais explicações. Tenho preguiça de me abrir a pessoas por quem tenho mais apego e acabar me decepcionando com elas mais tarde. Ou talvez, tenha medo de que tudo que eu diga sobre minha vida seja em vão, porque as pessoas com quem eu falo podem eventualmente, desaparecer de minha vida.

Mas, com você não foi assim.

A gente se trombou por um acaso, na baldeação do metrô. Que estação era mesmo? Vila Prudente, talvez. Tenho um amigo que mora lá por perto. Deve ser essa mesma. E de repente, a gente ia pro mesmo lugar e nem sabia disso. Foi quando você viu minha camiseta com um adesivo do MASP.

Eu que sempre fui de artes, encontrei minha garota aleatória de artes também no metrô. A vida não é nada previsível. Você deduziu que eu fui numa terça, já que esses adesivos eram dados nesse dia. Eu concordei. E foi uma conversa até chegar aonde a gente queria.

Trocas e mais trocas de papo, e você me despertou um lado esquecido. Aquele em que eu tinha prazer em me abrir com alguém. Em saber que você era confiável, guardadora de segredos. Uma passageira num vagão de informações que eu dava. E isso também me ajudou a ouvir mais os outros também. Recuperou em mim aquela vontade de ouvir o que alguém tinha a dizer, de rir com histórias alheias, de cantar canções que seus amigos te indicam.

Seria forçado demais dizer que você me ajudou a viver de novo? Talvez. Mas, nunca um exagero completo.

A ansiedade se foi, a vontade de pular etapas da vida, a preguiça de enfrentar alguns obstáculos. Tudo se foi com você chegando. Como se essas coisas ruins tivessem deixado meu vagão de metrô sentido Vila Prudente no momento em que deram espaço pra você sentar ao meu lado.

E assim, sem mais nem menos, seguimos o mesmo destino.

Lucas Fiorentino – clique para me conhecer melhor.

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