Futilidade

Existem diversos motivos que podem ter me levado a começar a escrever esse texto. Provavelmente, o que eu vou dizer não é nem metade do que eu penso sobre o assunto, mas é o que veio à minha mente na hora.

Faz um tempo que ando pensando na futilidade do mundo. Em como as pessoas estão vazias. Em como elas estão genéricas. É como se fossem um balão, que você estoura com uma agulha e descobre que não tem nada ali dentro. Não estou falando de inteligência, sabedoria, nada disso. Com certeza, isso seria presunção. Achar que é mais interessante porque se é inteligente só faz de você mais ignorante.

Digo isso porque, esses dias, tive um “insight” durante uma festa que estive. Quem me conhece, sabe que gosto muito de festas. Não suporto ficar em casa e saber que tem alguma coisa rolando em algum lugar. É uma ideia que minha cabeça toma como “estou preso em casa e não posso fazer nada para mudar isso”.

Também sempre fui muito ansioso. Aqui está uma das razões pela qual estou escrevendo isso. Espero demais das festas que vou, imagino elas como se fossem inesquecíveis, e a gente sabe que nem sempre é assim. Nem todo momento vai ser mágico só porque você quer. Fico aguardando o máximo possível de tudo que faz uma festa ser uma festa: música, ambiente, pessoas. E essa espera me mata se não for correspondida.

Talvez, isso também me torne fútil. Não é porque eu estou criticando a futilidade generalizada que vejo, que estou livre de julgamentos. Fui fútil alguma vez na vida, posso estar sendo agora.

Mas, o ponto principal aqui seria a individualidade do ser humano. Quando eu era mais novo, conseguia captar uma chama de genialidade em cada amigo que tinha, que tornava eles únicos para mim. Lia alguma coisa, e pensava em algum amigo que gostaria de ler aquilo também. Ria de algo, e imaginava aquele amigo mais engraçado, que também riria comigo. Não tenho o que reclamar dos meus amigos hoje em dia, porque ainda são os mesmos da infância (a vida me deu a sorte de continuar com eles, sorte essa que muita gente não tem).

O problema pode ser o caminho que tomei. Diferente de muitos, comecei a gostar de sair para onde a massa curte ir. Mainstream, músicas que tocam até você enjoar e querer enfiá-la num baú pra não ouvir de novo por mais 3 anos, pessoas que só conversam com você dependendo da gola da sua camisa ou do carro que você estacionou ali perto. Conteúdo (ou aquela chama única) que se perde no meio de tanta generalização exacerbada. Vestidos iguais, bebidas iguais, e até comportamentos iguais pra pessoas que se você conhecer mais a fundo, são totalmente diferentes. Tudo isso por causa de algum status social ou verdade que quer ser provada sem se fazer esforço. E não vou mentir ou ser hipócrita, eu não odeio isso, não vou deixar de ir. Só perdeu um pouco do brilho, ultimamente.

Ao mesmo tempo, descobri que aquilo não é a única opção. Descobri outros lugares, pessoas novas, aquele negócio de “redescobrimento” fez muito sentido pra mim nesses últimos tempos. Me influenciei por muitas pessoas na vida, e elas, com certeza, me tornaram tão tolerante que só posso agradecer. Não reclamo de estilos musicais, não fico puto com o que alguém faz ou deixa de fazer. A ignorância toma conta de tudo hoje em dia, e eu só consigo não entender como alguém se enfeza com tudo isso. Então, ao criticar, ainda consigo entender o lado do que estou criticando.

E a futilidade não é uma escolha, ela é um embate de gostos e profundidades. Existem pessoas que se deixam ser profundas até mesmo na aparência. São exóticas, mostram que vale a pena conhecê-las, e pessoas que simplesmente vão na onda do que for mais moldável pra se usar no momento. E, como já disse, não me importo com isso.

Só que seguimos vivendo uma coisa fantasiosa, onde viveremos o “time of our lives” a qualquer instante. E isso machuca por não acontecer. A gente cresce e percebe que isso depende de muitas outras variáveis, incluindo escolhas que você fez quando ainda nem sabia escolher caminhos pra sua vida. Lá atrás, com uns anos a menos.

Cheguei a um lugar lotado, e só consegui ver o vazio. Cabeças “ocas”, não no sentido da ignorância, mas no sentido sentimental. Vazias de sentimento, de interesse e preocupação. E eu ali, não conseguindo me livrar de tudo isso, só aceito pensar que posso estar enganado sobre tudo isso.

Lucas Fiorentino – clique para me conhecer melhor.

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