Borboleta

 

Ela se libertou. Não liga mais para o que os outros vão dizer. O cheiro do café feito pela manhã já é diferente. Ela sente esse cheiro na pele, embora seja difícil de explicar como isso acontece. É uma sensação diferente. Nunca havia sentido isso antes.

O travesseiro em que ela deitou na noite passada, com toda certeza estava mais macio. A cabeça vazia, mas isso não é um problema. Está vazia de preocupação. Não há com o que se incomodar. Ela se encontrou, depois de ter se perdido por alguns anos.

Se redescobriu. Essa, que cá entre nós, é a melhor coisa que a gente pode fazer durante a vida. Se reinventou, com a criatividade de um cientista louco, que é pouco compreendido, mas que não se importa com a opinião alheia, desde que sua invenção seja boa pra si mesma.

Ela cerrou seu coração. Não entra qualquer um. Só quem possuir loucura suficiente para acompanhá-la. Não é fácil entrar, mais difícil ainda é sair de lá. Ela tem o dom de fazer você grudar e não querer descolar mais.

Todo o sofrimento que passou com paixões descabidas, serviu como experiência. Ela não descartou, porque isso a fez ser genial como é hoje. Ela voa, como uma borboleta que aprendeu a voar há alguns segundos e se deslumbra com a paisagem que pode ser vista do alto.

Aprecia a vista menina, você agora é dona de si mesma. Enquanto isso, aqueles que tanto partiram, largando sua paixão desamparada, olham pra cima buscando entender. E não conseguem. É difícil explicar como ela se tornou tão mulher. E eles só aceitam essa pequena derrota da vida.

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