13 dias

Eram tudo flores em nossas vidas durante os primeiros dias juntos, estávamos naquela fase lua de mel do casal, porém já nos conhecíamos há muito tempo, ela sabia da minha instabilidade e impulsividade e eu da sua mania de controlar tudo e todos. Essa coisa toda era amenizada pela falta de uma definição real da nossa relação, pisávamos em cascas de ovos para não afugentar o outro.

O problema começou no primeiro fim de semana como um casal, eu quis sair com meus amigos para a balada, como fui de uber, eu bebi, bebi bastante e acabei esquecendo de avisá-la que tinha chegado em casa. Além de ter começado a responder diversas mensagens errado.

No dia seguinte nós brigamos. Não éramos de brigar, mas nós brigamos feio, coisa do nível de ela me chamar de canalha e eu mandar ela ir se fuder, conheci um lado dela que eu não conhecia e ela se assustou com a minha reação. Eu odeio que tentem me controlar, como se a pessoa não confiasse em mim e ao meu ver a base de qualquer relacionamento, seja entre amigos ou casal, é a confiança. Não me relaciono com pessoas que não confio, exatamente por isso a cada dia que passa tenho menos amigos e muitos conhecidos.

Nos resolvemos, mas sabe, ambos ficamos com um pé atrás, parecíamos perfeitos um para o outro e pela primeira vez em meses, nos veio a cabeça que talvez não fôssemos. Sabe quando você começa a usar tanto o sapato que ele machuca o seu calcanhar? Então, a ferida tinha acabado de aparecer. E ela ardia.

Nos vimos no dia seguinte, mas parecíamos dois desconhecidos, não tínhamos muito o que conversar o clima ainda estava ridiculamente pesado, parecia que o orgulho de ambos estava berrando, não conseguíamos estabelecer uma conversa, passamos mais um dia assim e resolvemos conversar. Ela prometeu ser menos controladora e eu iria pensar antes de agir, não estávamos mais em algo aberto, nada sério, estávamos namorando. Ela dizia isso como se estivéssemos casados, ou como se ela fosse a minha mãe me ensinando algo. Isso me incomodou, mas eu relevei.

No fim de semana seguinte fomos à um bar juntos, nossos amigos também estavam lá e entre uma conversa e outra eles notaram que nós dois estávamos de cara fechada, não sorríamos como sempre sorríamos, não éramos mais nós dois. Um deles me chamou para conversar e perguntou o que tinha acontecido, respondi que nada, estávamos normal. “Esse é o problema, vocês não são normais”. Confesso que isso entrou na minha cabeça como um tiro.

Ele estava certo, o que houve com a nossa leveza? Com o nosso sorriso? Com a nossa felicidade? Parece que a leveza estava nessa coisa descompromissada, como se nós dois não víssemos mais graça um no outro depois daquele pedido, a graça era a conquista, já tínhamos chegado ao topo da conquista para dois jovens, já tinha passado aquele entusiasmo inicial, até porque, não tínhamos entusiasmos, já tínhamos vivido a lua de mel antes do namoro.

Conversamos de novo, foi algo sem choro, simples, como nós sempre fomos, “Bru, não fomos feito para dar certo”, eu concordei, triste, “Talvez não agora”, “Talvez”. Terminamos na escadaria do meu prédio, ela deixou as minhas coisas na minha portaria e vice-versa, combinamos de ficar um tempo sem muito contato para evitar mágoas, uma decisão sábia, cada um teria seu luto, depois poderíamos tentar ser amigos.

O fim, não foi tão sensacional quanto a história, o fim foi um choque de realidade, vivíamos num sonho, nos tocamos que não é assim que as coisas funcionam. Não vejo isso como um fim em si, vejo como uma pausa, cada um seguirá seu lado, mas eu me conheço, eu a conheço, nossos caminhos irão se reencontrar. Todos os caminhos da vida me levam à ela. Nos despedimos com lágrima nos olhos e um beijo na testa. 13 dias, foi o tempo que fomos namorados, 4 meses, foi o tempo que ficamos juntos. Uma vida, é o que temos pela frente.

Esse é o décimo terceiro e último texto de uma série de contos postada todo domingo chamada Nossa História (clique para ler os anteriores).

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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