Dom

Canso de seguir a linha de raciocínio que todos insistem em dizer: “você tem um dom, não desperdice”. Como se fazê-lo fosse algo maravilhoso. A realidade é que, alguns dons que nos são dados, trabalhados ou não, são árduos na hora de aprimorá-los. Escrever não seria diferente, por sinal. Quem me conhece, sabe que não sou bom com palavras ao vivo. Ainda que consiga me expressar, ser engraçado, alegre ou até mesmo irritante, sempre invejei os meus amigos com boa oratória, mesmo que esses não conseguissem colocar um pingo num i numa folha de papel.

Letras de forma, de mão, bastão e todo o resto, sempre foram lindas quando feitas por minhas mãos. Consequentemente, chega a comparação com as letras de garotas.

-Você tem letra de menina, Lucas!

E eu não dei a mínima. Isso de verdade, eu nunca dei a mínima. E o que seria pior para uma criança no auge da sua molecagem com uns 8, 9 anos de idade? Não ter boa oratória ou ter grafia de “menininha”? A segunda, não acham? Pois é, as pessoas não fazem sentido. Quanto a mim, eu faço menos ainda.

O ponto é que, por mais que seja um deleite, que me liberte de algumas frustrações e desperte alguns desejos (muitas vezes, até ambiciosos), escrever requer uma característica simples que acompanha todos os escritores: sensibilidade. E isso, você não nota em alguém logo de cara, apenas conhecendo mais a fundo. Não existem pessoas com “cara de quem tem sensibilidade pra escrever”.

Problemas nascem a partir desse ponto. Ao ser sensível aos detalhes que o cercam, às reações do mundo e às tristezas de desilusões, somos baqueados por nossas próprias palavras. Nasce a necessidade de escrever, porque somos tão abatidos pelo exterior, que nosso interior precisa exprimir aquela angústia do que não foi dito com palavras em alguma hora ou outra. Um simples cair de folha de uma árvore, que pode ser algo comum e insignificante para qualquer outra pessoa, é um fardo para um escritor que o viu. Aquilo pode ter tantos significados, tanto sofrimento ou alegria, que se faz necessário dizer que aquilo aconteceu de alguma forma.

A verdade é que dons vêm acompanhados de complementos, que tornam aquilo bom e ruim de se fazer ao mesmo tempo. A felicidade de ser bom em uma coisa é estimulante. E a tristeza de ser afetado tão fortemente por seu próprio dom é a faísca de criatividade que faz com que consigamos colocar palavras tão belas num papel.

Lucas Fiorentino – clique para me conhecer melhor.

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