Teto Cinza

Escuridão. Você se acostuma conforme o tempo vai passando e continua de olhos abertos olhando para cima. Deitado na sua cama, esperando que sua mente lhe presenteie com uma descoberta inesperada sobre o sentido da sua vida. Não é assim que funciona, afinal, você já tentou muitas vezes. Quantos sonos não foram interrompidos por pequenas filosofias antes de dormir? Reflexões em miniatura, e você continua tentando. Por que desistir de pensar se somos tão jovens, não é mesmo? Não entendemos nada do amor. Apenas sabemos que ele é confuso. Não sabemos seu significado nem a sua origem lógica.

Mas sabemos que ele é tão poderoso que nos deixa anestesiados olhando para o teto.

O teto cinza é a melhor definição do quão nublado ele pode nos deixar. Pensamos em tudo e ao mesmo tempo não pensamos em nada. Onde foi parar toda a nossa racionalidade no momento que ela me olhou? Tudo foi embora. Simplesmente, minhas conexões com o real desapareceram conforme ela ia se mostrando mais e mais para mim. Eu não sei o que fazer. Vocês sabem?

Fomos lindos juntos. Somos a perfeição, se você perguntar para qualquer um que viu. Era tudo tão encaixado que o inventor do amor ficou surpreendido com sua criação dar tão certo. Sim, em algum lugar, ele ficou surpreendido. Como eu também ficava. Não que eu pensasse isso toda hora, mas é algo interessante de se ver. Quando tudo é tão bonito assim, não teria como dar errado.

Mas deu. Com o tempo, foi desgastando. Como aquela roupa de criança que agora você usa pra dormir, como um pijama. Nosso amor é desbotado, não serve pra todas as horas do dia. Eu não diria que seria só pra ficar em casa, mas também não é um amor pra toda ocasião. Em alguns momentos ele virou tristeza. Em outros, ele se transformou em ciúmes.

E virou desmotivação. Não tinha mais o mesmo fervor. As coisas eram mais frias, como as cores nas camisetas. Tão frias que chegaram ao cinza absoluto. O cinza de um dia feio e nublado. Aquele em que você olha para cima e não entende como conseguiu sair de casa. Não sabe se vai chover. Esse cinza é o mesmo do teto do meu quarto no momento.

Olho pra cima e ainda consigo ver um pouquinho de cor. Quando lembro dos bons momentos, das boas risadas e do quanto aprendi. Mas isso é passado. É uma pequena mancha que não se mostra tão presente e viva quanto o resto. Ainda assim é bom saber que existiu.

Estou deitado, meu celular vibrando com mensagens chegando, e só consigo fixar um ponto no horizonte do teto do meu quarto. E é lá que eu viajo lembrando de você.

Lucas Fiorentino – clique para me conhecer melhor.

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