Nove Horas

“Acorda Bruno!” meu sono tão precioso foi interrompido pela sua voz, me apressando porque eram 7:30 e o nosso vôo seria às 9,  a julgar pela aparência dela, estava acordada há algum tempo, já estava bem vestida e com o cabelo penteado, chuto que ela estava acordada há meia hora, meus pais já haviam ido, a minha decisão de última hora de leva-la me colocou no vôo das nove enquanto eles foram às oito. Rolei para fora da cama e fui vagarosamente até o guarda roupa escolher o que vestir, sabia que ela implicaria se eu fosse de short e regata só, então coloquei uma camisa por cima pra ficar um pouco menos “favela”, mas do meu chinelo não abriria mão de jeito ou maneira alguma.

Oito em ponto eu estava pronto e ela acabava de retocar sua maquiagem, óbvio que minha insistência em dizer que ela estava bem sem maquiagem foi ineficiente, ela precisava por a maquiagem, era uma questão de vida ou morte e tentar convence-lá do contrário, é impossível. Fiquei responsável por levar tudo para o táxi enquanto ela acabava de se arrumar, ela desceu toda produzida, saia, regata, sandália eu era o contraste dela, regata, camisa, short e chinelo.

Chegamos faltando vinte minutos para o avião partir, sempre em cima da hora, fiz o check-in voando e entramos no saguão, ela abriu um livro e esperou chamar o nosso vôo, eu peguei o celular para dizer aos nossos pais a identificação do avião, peguei esse costume do meu pai, que sempre avisa minha mãe esses dados antes de viajar, vai que algum avião caia, é bom saber que não era você naquele vôo né?

Eu sempre quis entender porque as pessoas fazem essa fila gigante para entrar no vôo, é só esperar sentado e depois entrar, foi o que fizemos, entramos e pegamos nossos lugares, ela fez questão de sentar na janela não queria interagir com alguém do lado dela, ela nem ligava pra paisagem, provavelmente dormiria todos os 40 minutos da viagem…

Já no Rio e dentro do táxi ela olhava apaixonada pela janela enquanto percorriamos o caminho até a casa da minha tia, passamos pela praia do Flamengo, Botafogo, Copacabana e finalmente chegamos em Ipanema, ela ficou encantada com o Cristo, o Pão de Açúcar, parecia uma criança, uma pena que não iríamos conseguir visitar nada disso, um dia era muito pouco, mas pelo menos fomos à praia.

Minha prima veio correndo me abraçar quando me viu na porta de casa “Buno!” e logo depois perguntou o nome da moça que estava comigo, disse que era o mesmo nome da minha prima, “vocês são xarás”, ela sorriu e disse “por isso ela é tão bonita né?” a simpatia é algo que corre nas veias dessa família. Despachamos as malas, comemos e fomos à praia. Ela pareceu uma modelo naquelas propagandas de perfume caminhando até o mar e me matou de rir quando a onda a derrubou, ela odiava molhar o cabelo.

Eram 5 horas quando voltamos ao apartamento, mais tarde minha irmã faria um acústico para a família em um barzinho ali perto, para você ter noção do tamanho da família, lotamos o barzinho. Ela demorou meia hora no banho, como de praxe, confesso que usei uns cremes que ela deixara em cima da pia, eu seria padrinho do casamento no dia seguinte, não podia estar com o cabelo ruim.

No bar ela conheceu absolutamente toda a minha família – lembrando aqui que nem todos os nossos amigos sabiam que estávamos juntos ainda – foi inundada por elogios e ficava sem graças após cada um deles, sem exceção. Meus primos gostaram muito dela, principalmente depois que ela barrou minha cerveja porque segundo ela “eu estava muito pançudo” eu e minha barriga viramos motivo de graça na mesa, ela sempre dava seu jeito de tirar uma com a minha cara.

Voltamos para casa eram quase duas da manhã, provavelmente só acordaríamos meio dia se a minha priminha nos permitisse dormir, óbvio, algo que por incrível que pareça ela deixou, acordei com o corpo da dita cuja entre eu e Ela, minha prima até parecia fofa dormindo entre a gente. Após comermos fomos para a casa da minha outra tia, no Flamengo, uma cabeleireira estava lá arrumando todas as mulheres, e não eram poucas. Ela só ficou pronta de verdade às 19, durante a espera ela ficou vendo filme com minhas primas enquanto eu dormia no seu colo. Assim que ela levantou fui tomar banho e me trocar, o casamento era às 21, mas como eu era um padrinho tinha que chegar às 20.

Quando saí do banho fiquei paralisado pela cena dela no seu vestido, o que era aquilo, ela parecia uma princesa, não sei definir, eu poderia ajoelhar e pedi-la em casamento ali mesmo, no ato, acho que nunca estive acompanhado por uma mulher tão linda em toda a minha vida. Fomos para o casamento, pegamos uma mesa, nos sentamos e esperamos um novo capítulo da nossa história começar.

 

Esse é o nono texto de uma série de contos postada todo domingo chamada Nossa História (clique para ler os anteriores).

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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