Oito Dias

Faltavam oito dias para irmos viajar e a essa altura algumas pessoas já sabiam que estávamos “juntos” e a nossa relação tomava rumos que precisavam ser revistos, então a chamei para termos uma daquelas tradicionais conversas “o que nós somos?”, perguntei à ela no tom mais sereno que eu podia fazer, ela enrolou um pouco pra responder, eu devia ter pedido para vê-la, mas isso só seria possível dali 4 dias, já que essa sexta ela iria viajar por causa do feriado de dias das crianças e só voltaria na segunda, logo só nos veríamos novamente terça e essa conversa precisava acontecer logo.

Ela respondeu direta e franca, “Ué Bru, somos o que sempre fomos, dois amigos que se beijam sempre que possível, nada sério”, algo dentro de mim não comprava aquele discurso, eu a conhecia e ela era orgulhosa demais para admitir algo, então resolvi falar com umas amigas dela, todas deram mesma resposta, não com as mesmas palavras, mas era algo como “Não pede ela em namoro, ela não vai querer agora”, comprei o discurso, mas ainda estava com o pé atrás.

Sexta de tarde ela foi pra Maresias (uma praia em São Paulo) com umas amigas e eu cacei algo para fazer com meus amigos, arrumei uma balada, não sou fã, mas todos iam, então eu com certeza iria dar risada. De noite antes de ir a contei que iria sair, ela pediu para eu avisa-lá quando chegasse em casa, eu amo quando me pedem essas coisas pequenas, mostra que a pessoa se importa com você. Eu não vou mentir, bebi um absurdo e não me lembrava de muita coisa da balada, minha memória só começou a aparecer no dia seguinte de manhã quando acordei com meu celular com algumas mensagens dela, havia esquecido de avisar que cheguei em casa e outras dos meus amigos no nosso grupo, fui lá pro meio das mensagens e me deparo com a seguinte frase “Ae Brunão, pegou uma loira sensacional ontem.”, eis que flashes começam a surgir na minha cabeça e eu me lembro da loira.

Isso não seria nenhum problema, imagino que Ela não ficaria brava, mas antes achei melhor falar com uma amiga dela para saber como falar o ocorrido e para minha surpresa a amiga dela me manda a foto da menina que eu havia ficado na noite anterior, meio surpreso e com medo pergunto, como você sabe que é ela? A amiga me responde que não sabia, ela só queria que não fosse aquela menina, se preparem para a bomba, Ela odiava mortalmente a menina que eu fiquei ontem e eu não sabia, na verdade eu tinha uma noção, mas só depois entendi a real dimensão da cagada, ela tinha sidoia menina com quem o seu ex a traiu, eu não sabia disso. Ferrou.

Lá foi Bruno contar pra Ela o ocorrido, ela visualizou a mensagem e não respondeu, a amiga dela me disse que Ela tinha ficado irada comigo, que me xingava até a última geração, quando ela me responde, meu coração pára. “Bruno, me diz uma coisa, eu não satisfazia você? Não podia ficar um fim de semana sem ficar com ninguém Bruno?” éramos intensos, nossa primeira briga não poderia ser diferente, respondi que ela tinha me dito que não queria nada sério, ela me retruca com um argumento excelente, “Bruno como você se sentiria se eu beijasse Fulano – sem nomes – agora? ” eu odiava Fulano, morria de ciumes, respondi que ficaria irritado e triste, ela responde com um áudio “EU TÔ EXATAMENTE ASSIM, TCHAU!”.

Olha não vou enganar ninguém, o feriado foi complicado, ela bebeu demais e ficou com um cara no sábado para esquecer da sexta, eu fiquei preocupado demais o feriado todo e estava com medo da nossa viagem ser cancelada, implorei para que saíssemos quando ela voltasse, ela, já mais calma, topou, iríamos ao cinema. Resolvi fazer uma surpresa, então escrevi um texto chamado “Nossa Atmosfera“, relembrando à ela de momentos que passamos juntos e mostrando que podemos recriá-los basta nós querermos. Óbvio que eu não fiz só isso, conversei muito, pedi muitas desculpas, disse que não sabia que aquela era a garota da traição e tudo mais, ela estava me perdoando.

Porém pelas conversas eu sentia que tudo só ficaria bem quando nos víssemos, sei lá, essas coisas precisam de contato para serem curadas. A amiga dela disse que ela estava bem triste, mas que com certeza iria me perdoar “ela te ama” disse sua amiga, eu fiquei lendo aquilo alguns minutos. Terça de tarde fui caçar um filme para vermos e achei um que ela morria de vontade de ver, comprei os ingresso e lá fomos nós para o shopping.

O clima estava meio pesado, parecíamos duas pessoas que não se conhecem muito bem saindo pela primeira vez, haviam alguns momentos de silêncio constrangedor e umas trocas de olhares sem jeito. Nós jantamos e fomos para a sessão, quando nos sentamos disse que tinha algo para ela, peguei meu celular, abri o texto e a dei para ler. Ela não conseguiu conter o sorriso, olhou pra mim com um olhar meio bobo e me beijou, fiquei extasiado, a beijei de volta e entre um beijo e outro acabei dizendo “te amo”, ela sorriu ainda mais e disse que também me amava, ficamos grudados o filme inteiro. Depois do filme perguntei se ela não queria dormir em casa, “achei que você não ia convidar” disse ela. Ela é compreensível, isso que eu amo nela, ela consegue ver a situação como um todo, de mãos dadas saímos do cinema em direção ao carro.

A melhor parte da briga, é a reconciliação. E essa história ainda não acabou.

Esse é o oitavo texto de uma série de contos postada todo domingo chamada Nossa História (clique para ler os anteriores).

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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