Vitrines

Alguns amigos de Carlos diziam que ele era um super-herói. Não pra encher a bola dele, nem nada do tipo. Ele realmente tinha alguma coisa especial, mas pouca gente sabia. Carlos tinha o peculiar poder de conseguir ver quem estava apaixonado. No começo, achou estranho. Como ele podia sentir uma energia diferente vindo de pessoas que não conhecia? Então, ele se deparou com um jovem casal e viu que os dois estavam em sintonia. De alguma forma, ele conseguia perceber o que mais ninguém percebia.

Depois de um tempo, ele foi se acostumando. Andar na rua era divertido, e de repente se tornou normal. Parte de sua rotina era ver que alguém estava amando. Ele via pessoas sozinhas, que não estampavam nem uma cara de paisagem (aquela cara boba de gente apaixonada), mas conseguia perceber que ali havia um amor. Muitas vezes, Carlos via coisas que o deixavam meio triste. Amores partindo de um só lado, ou ás vezes, de nenhum dos lados. Era muito difícil saber como aquilo funcionava. Como uma energia assim não era sentida pelos outros?

Aquilo foi consumindo sua felicidade por ter esse poder. Tantas paixões vistas, deram lugar ao vazio que ele sentia quando via alguém que não era amado. Ele sentia isso como se a dor do amor não correspondido fosse em seu coração. Carlos estava vivendo o momento de outras pessoas, e nem sempre isso era bom.

Como procurar ajuda para isso? Quem iria entendê-lo? Ninguém entende o inintendível. Ainda mais quando se trata de amor. Sua fábula se tornou um pesadelo. Ainda que ele visse um amor brotando, seu coração estava muito amargurado com tudo que não deu certo. O vazio era forte demais.

Andava pelas ruas, como se elas não fossem nada. Um caminho sem trilhas com finais felizes. Lojas com vitrines dispensáveis, onde se refletia um mundo de dor para ele. Vitrines… Carlos se olhou. Não acreditou no que viu. Ele mesmo. E o mundo todo atrás dele, como se fosse o líder de algo importante, que nem ele mesmo sabia o que era. Encheu-se de orgulhos repentinos, sobre si e sobre o mundo em que estava. Viu um cachorro vibrando energias positivas, viu novamente os casais se abraçando, viu toda a cordialidade e ainda sim viu tristeza, mas essa tristeza parecia ter voltado a ser pequena. Afinal, sentiu-se diferente. Estava ele mesmo vibrando um amor. Por ele mesmo e todo o ambiente.

A cura apareceu? Não completamente. Ele ainda possuía seu dom e continuava sentindo o fardo dos outros. A solução foi perceber que ninguém é perfeito a ponto de estar sempre feliz. Nem ele mesmo, que sabia o segredo para esse amor que te deixa tão alegre. Um mundo de amor é reflexo de um mundo de tristeza, e o equilíbrio se tornou o melhor amigo de Carlos dali em diante.

Lucas Fiorentino – clique para me conhecer melhor.

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