Meu Anjo é Argentino

 

Óbvio que essa história teria que se passar em um bar, se não, não seria minha, óbvio que eu tenho que estar no mínimo alegre, se não, não seria eu e com toda certeza tem que ter uma garota linda, se não, não teria história, ou graça. Era uma quinta – sim, estava bebendo numa quinta, me julgue – e aquele espécime feminino nunca antes visto na face da Terra estava bem ali na minha frente, um par de olhos cor de mel e cabelos não tão loiros, mas nem tão castanhos, um loiro escuro vai, óbvio que eu precisava ter ela pra mim, nem que fosse só por essa noite, era uma missão minha como escritor adicionar ela às minhas histórias.

Sentei do lado dela e comecei a tagarelar, risada vai, risada vem, acabo soltando esse desafio: “se eu fizer um texto pra você em dez minutos, você me beija”, ela topou. Ela mal sabia, mas meu tempo de escrita costuma ser de 15 minutos, dez não seria grande problema. Porém eu havia esquecido de duas variáveis importantíssimas, 1. Meu celular estava no conserto, não estou acostumado a usar iPhone para digitar, digito tudo errado. 2. O fato de digitar errado foi agravado devido ao alto nível de álcool no sangue, eu tentei, mas não consegui escrever mais que um parágrafo. Não podia aceitar a derrota, eu tive que apelar, nos meus textos busquei algo que pudesse se encaixar com ela, achei, adicionei algumas características próprias da dita cuja e pronto, ela “tinha” um texto.

Olha, sei que Deus viu o que eu fiz, mas ele me entenderia, a coisa tava complicada pro meu lado, era uma questão de vida ou morte… Ou quase isso vai. Enfim, ela tinha o texto, a ideia deu certo, o andamento da noite foi dentro do esperado, mas cara, eu precisava falar a verdade pra ela, não por uma questão de honestidade – não que eu não seja – mas porque eu amo irritar as mulheres, pra depois em uma política de morde e assopra, fazer a coisa toda passar.

A cara dela quando eu disse a verdade foi impagável, por um instante jurei que ia tomar um tapa, tentei beijá-la de novo, mas todos os beijos foram negados, ela dizia estar brava, mas o sorriso dela não escondia, era só pra fazer um castigo em mim, me punir pela cafajestice que eu tinha feito, sabia que precisava tirar algo da manga pra contornar a situação.

Juntei alguns pontos e achei a solução, levantei pra pagar a conta, fiz amizade com o garçom enquanto esperava o bendito troco. Ele era argentino, o primeiro argentino gente boa que já conheci, expliquei pra ele a situação, ele riu da minha cara e disse que me ajudaria. Eu pedi pra ele alguma flor, algo fofo, três minutos depois ele apareceu com uma flor de guardanapo pra mim (que em outra ida ao mesmo bar, o mesmo garçom me ensinou a fazer), o papa é argentino, meu anjo também.

Fui levá-la pra casa e assim que entramos no carro entreguei a flor, não ajudou muito, mas aliviou um pouco a minha barra, consegui pelo menos um beijo de despedida, pra quem estava quase apanhando minutos antes, até que me sai bem. Mas confesso, ficou aquele gostinho de quero mais, talvez porque eu precise de alguma forma compensar o que fiz, essa foi a história só da primeira vez, imagina se acontece uma segunda.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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