Pretéritos

Dormíamos quando a ideia desse texto vinha à minha mente, na verdade você dormia, eu tentava achar meu espaço na cama, cada vez mais tua do que minha. Anotava no celular a ideia enquanto você se revirava nas cobertas, já previa que a noite seria fria, ao menos pra um dos dois corpos presentes sob esse colchão. Obviamente sobrava à mim a árdua tarefa de tentar dormir sem cobertas, já que você tinha puxado cada centímetro delas pra você e não era nem pra se cobrir, era para você abraçá-las, como se me ter o lado na cama não fosse suficiente, essa é a parte imperfeita do nosso pretérito, você e seu egoísmo na cama, ainda bem que só pra dormir.

Tive que sentar na beira da cama para anotar direitinho tudo, quis que tudo fosse perfeito, assim como o pretérito desse parágrafo que escrevo agora. Planejei falar sobre tudo que passamos até aqui, sobre nossas viagens de madrugada sem avisar ninguém, lembra quando sumimos daquele bar maldito porque não aguentamos a vontade ? Foi ali no carro mesmo, embaçamos as janelas, ficamos incandescentes naquela noite tão fria de julho. Já falei do seu sorriso hoje ? Provavelmente não, imaginei que estamos separados na ideia inicial desse texto. É difícil falar do futuro no pretérito, é difícil imaginar um futuro sem você.

Já tinha sentado e levantado da cadeira e não tinha conseguido acabar o texto, já tinha desistido faz tempo de escrever só a ideia, havia conseguido escrever umas 10 linhas quando olhei pra janela e vi: o Sol já tinha nascido. A fome já tinha batido há algum tempo quando eu resolvera ir até a padaria comprar pão. Ao chegar em casa você já tinha levantado e fizera seu desfile matinal de lingerie sem meus olhos por perto, já tinha ficado muito puto, pois tinha me tocado que se ficasse em casa, o pretérito teria sido mais que perfeito.

Se no início desse texto eu soubesse que não ficaríamos mais tempo juntos naquele dia porque a sua mãe ligaria desesperada diversas vezes para saber do seu paradeiro, nem teria começado a escrever, onde mais você estaria né ? Pior ainda, se eu soubesse que você atenderia o telefone e berraria com a sua mãe, teria deixado você em casa para evitar a confusão, nem cogitaria te trazer pra cá, quero distância das encrencas da sua família, teria dormido bem – teria dormido no caso – mas tudo bem, é difícil prever o futuro, ainda mais se ele for o futuro do pretérito.

Quis escrever esses parágrafos para de alguma forma representar o que nós dois éramos, éramos parte de uma conjugação difícil, confesso, mas nosso pretérito tantas vezes imperfeito, provou que podia ser perfeito, quiçá mais que perfeito e quer saber? Esse texto me fez refletir, vi que nosso pretérito tem futuro, será que ele me dará esse presente?

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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