Vamos abrir esse texto concordando que nós não temos nada a ver. Você gosta de eletrônica, eu prefiro pagode. Amo filme de terror enquanto, só o fato de imaginar que alguém paga pra assistir aquilo te deixa arrepiada. Minha cabeça vive nas nuvens e os teus pés preferem o chão, eu faço planos de longuíssimos prazo e de alguma maneira mexo em cada aspecto da minha vida pra esses planos darem certo. Você vive o agora e a minha cabeça ama o futuro.

Mas de alguma forma, a gente se entende. Teu jeito hiperativo e de vez em quando inconsequente, ficou um pouco mais sereno conforme fui te conhecendo. Abri brechas pra um pouco das tuas loucuras e vi minhas noites começarem a parar de ter rumos lineares e a minha cama, sempre tão vazia, começou a ter companhia do teu corpo. Pequeno, mas perfeito pra se envolver no meu peito.

Você nunca foi de ficar pro almoço, fugia da minha casa depois do café, então devagar comecei a tentar te fazer ficar. De série em série, de beijo em beijo e entre um chamego e outro, acabamos saindo pra jantar. Frio como neblina da serra, o teu exterior acabou se abrindo pro meu jeito todo “espertinho”, como você diz. E acabou encontrando aconchego nos meus braços, sempre prontos pra envolver cada centímetro dessa inquietidude que é o teu coração.

É até engraçado imaginar quem nos vê de fora.

Porque a gente se entende. Nos entendemos por sermos coloridos. Abrimos a aquarela e inventamos tons de vermelho que combinassem com os teus olhos castanhos e acabamos descobrindo que vinho ficava lindo nas nossas mãos. Então resolvemos nos pintar com ele. Depois de uma garrafa nossas bochechas ficaram vermelhas, mesmo tom adquirido por costas, pernas, costelas e pescoços conforme a Lua completava seu ciclo no céu.

Você sempre gostou de viver as tuas loucuras. E entre tantas loucuras, você se fez minha. Eu sempre gostei de histórias complexas, sem querer acabei descobrindo a mais bonita de todas dentro dos teus olhos. Somos opostos, mas nos encontramos nas diferenças e contrariando até os astros, acabamos nos entendendo.

A gente se entende. O fato de sermos incompatíveis faz toda essa nossa coisa indefinida ser inesperada. Elimina qualquer peso que aqueles casais “nascidos pra ficar juntos” têm. Imagina que chato seria começar a se envolver com o amor da tua vida na idade que a gente tem.

Toda a cobrança e certeza iria aflorar num momento tão leve das nossas vidas que acabariam inevitavelmente culminando no fim, ainda aprendendo a lidar com o peso de um relacionamento não nos podemos dar ao luxo de assumi-lo, não agora.

E embora sejamos tão opostos, concordamos que a nossa maior graça é essa falta de compromisso, mas respeitando os limites e confiando que, não importa onde a noite nos leve, no final dela acabaremos dividindo o mesmo cobertor. Ou lençol, os cobertores costumam esquentar demais quando nossos corpos se encontram.

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Bruno Amador – clique para me conhecer melhor.

Bruno Amador