Apareceu sem graça quando nossos olhos se encontraram antes da festa começar. Surgiu no canto da tua boca e num movimento sutil fez o teu olhar desviar. Caminhou pelo salão e veio parar ao meu lado conforme a noite avançou. Talvez eu tenha caminhado até ele, tinha bebido demais.

Se fez de bobo quando me viu mais perto e corou teu rosto quando elogiei você e o teu vestido. Se escondeu no meu ombro quando te tirei pra dançar e se manteve presente por todo o percurso que percorremos da pista de dança, até as cadeiras na parte mais afastada do buffet.

Fez os teus olhos brilharem quando sentamos e pedi pra você me contar cada detalhe da tua viagem. Fiquei meio perdido enquanto ele entrava e saía da tua boca conforme as palavras eram ditas. Não demorei até começar assimilá-lo e sorrir junto. Nem dois minutos tinham se passado quando me inclinei pra frente tentando um beijo.

Ele mudou a tua feição. Apareceu sem graça de novo, parecido com o do início do texto. Se manteve na tua boca enquanto ela me perguntava onde eu achava que estava indo e eu, embasbacado, não respondi. Só fui. E ele apareceu mais sincero que nunca entre os beijos, lentos e com muita química. Bem a nossa cara.

Fez um dos teus olhos fechar mais que o outro quando nossas cabeças se afastaram e voltamos a conversar. Aparecia no copo conforme bebíamos e começou a sair da pureza pra malícia conforme as caipirinhas chegavam.

E de novo voltou a aparecer entre os beijos. Me conduziu de volta pra pista e riu ao ver minha perfomance de “Deu Onda”. Ficou um pouco fofo na parte que fala “o teu sorriso me deu onda”. Porque meio que caiu como uma luva pro momento. Desculpa, não pro momento. Mas pra nós dois. Como você me disse uma vez, teu sorriso não me dá onda, me dá tsunami.

Fez que não com a tua cabeça quando falei a frase anterior no teu ouvido, “Para de ser bobo” você respondeu. “Não dá, a culpa é sua”, comentei tendo que forçar a voz porque a música tava alta demais. Se manteve no teu rosto no decorrer da noite, saiu por um instante quando numa pitadinha de ciúmes me viu de longe conversando com uma garota, mas não resistiu quando brinquei com a tua irritação.

Deixou de ser só sorriso e virou mordida no lábio quando, te deixando em casa, pedi pra você dormir na minha. De tão gostoso que ele ficou. Transbordou do teu rosto pro meu, quando a tua boca disse que sim pro convite.

Permaneceu no teu rosto até a manhã seguinte, quando deu lugar a um certo tom de melancolia na despedida. Ficou até agora estampado na minha mente – e rosto – pela incredulidade de saber que de vez em quando o teu sorriso, é um pouquinho meu também.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor, estou no Instagram e Twitter como @brunoamador

Bruno Amador