Gostei da tua voz, quando vou poder ouvir ela de novo? Amanhã? Mês que vem? Eu não tenho pressa. Nunca fui de fazer as coisas correndo e sinto que se fizesse, iria acabar te perdendo, tuas pernas são curtas e não acompanhariam meus passos longos. E nem de longe eu vejo isso como um problema, já que devido ao seu tamanho elas são facilmente presas na minha cintura.

Eu não tenho pressa e isso se aplica à praticamente tudo, inclusive aquilo lá, que acelera teus batimentos, deixa tua respiração ofegante e o pescoço um pouco vermelho. Essa última parte é mea culpa, ainda não aprendi a morder de leve quando fico um pouco bêbado. Você já deve ter reparado isso.

Sei que é foda te pedir isso assim do nada, mas imagina nós dois. Você com teu sotaque interiorano, arrastando a porta e deixando tudo mais devagar.Tua voz calma, desacelerando meus batimentos; teus olhos tão bonitos, deixando os meus hipnotizados e essa boca, que sorri sem graça entre um beijo e outro.

Eu com meu sotaque carioca-paulista, arranhando a porta e chegando perto do teu ouvido. fala acelerada e às vezes gaguejada, te arrancando um sorriso, olhos que não conseguem parar de te observar, deixando um pouco de vermelho aparecer nas tuas bochechas e um sorriso cheio de malícia entre um beijo e outro.

E a gente resolve beber, com os corpos soltos acabamos ficando maleáveis e de tão maleáveis nos enrolamos. Rolamos pela cama, nos enrolamos no cobertor, nossos rostos alinhados e o verde dos teus olhos invadindo os meus e deixando os meus castanhos, claros. Na tua boca encontro as linhas que me faltam pra começar o próximo parágrafo e quando deito ao teu lado começo a divagar.

Imagina nós dois resolvendo ir viajar. Se enfiando num carro e saindo correndo pro mar. Pro Rio, se o tempo for longo, ou pro meio do mato, se não conseguirmos algum feriado. Deitados a gente se perde um pouco. Você observa as estrelas enquanto eu descubro o teu corpo. A cena ficou tão bonita, que sem querer, rimei.

Sei que isso tudo é difícil de acontecer. Teu jeito é mais agitado e inquieto, pede uma dose a mais de energia pra acompanhar. Aqui em casa a música é mais lenta, o ritmo mais devagar e as tardes preguiçosas. A gente anda bem separados, não somos de depender de ninguém, só que não custa admitir que é muito mais gostoso quando resolvemos caminhar juntos um tempo.

Eu gostei, sabe? Gostei da tua voz, do teu sorriso, do teu corpo, dos teus olhos e principalmente, do teu beijo. Só não gosto dessa distância que insiste em existir entre a minha boca e a tua. Mas isso a gente resolve fácil, né?

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor, estou no Instagram e Twitter como @brunoamador

Bruno Amador