Você pode ler esse texto ao som de Your Song do Elton John, Youtube ou Spotify

Tá, preciso admitir que só pela possibilidade de te ver sorrindo me motivei a escrever esse texto.

Tem algo inexplicável nesse bendito sorriso. Ele é sincero demais, quase sempre aparece meio idiota no teu rosto e deixa bobo esse cara metido a escritor aqui. De longe o vejo chegar quando tuas pernas começam a caminhar na minha direção. Ele vem de canto de rosto, meio escondido e só se escancara quando tem certeza que nada, além dos meus olhos, conseguem vê-lo. Você é tímida e cabeça dura demais pra admitir pra alguma outra pessoa que, de vez em quando, eu consigo arrancar toda essa energia do teu rosto.

Talvez por ser cabeça dura, assim como eu, acabamos tendo toda a sintonia que se evidencia a cada encontro. É muito gostoso quando o santo bate, a questão é que o nosso não bateu, ele nos esmurrou. Inúmeras foram as razões pra não nos mantermos próximos e não vou falar delas aqui, a questão é que se tornou impossível me manter longe do preto e branco dos teus olhos. Refletido neles, via um mundo um pouco melhor e, ironicamente, mais colorido.

Do teu rosto fiz arte, no teu pescoço depositei alguns beijos e com os teus suspiros, me inspirei. Caminhei nos teus fios de cabelo e encontrei neles, além de algumas pontas duplas, a combinação perfeita pro branco dos meus travesseiros e lençóis. Agora deitados, resolvi brincar com a tua timidez e te mostrar que o mundo gira num ritmo diferente quando as tuas pernas passeiam pela minha casa e vem repousar entre as paredes do meu quarto.

Refém do nosso compasso o tempo vira aliado e começa a passar mais devagar. E aqui dentro, sem pressa ou qualquer preocupação começamos a construir a nossa própria realidade. Vejo as tuas unhas passeando devagar pelo meu rosto enquanto a televisão pergunta se alguém ainda está assistindo a bendita da série que colocamos. Até tinha alguém assistindo, mas como num toque de mágica os personagens saíram da tela, por entenderem que o dueto acontecendo entre os cobertores merecia privacidade.

Por sermos uma negação como cantores, resolvemos permanecer em silêncio e fazer algo em que realmente somos bons. Ficar juntos. Próximos um ao outro, tornou-se inevitável que nossas bocas se encontrassem. Entre um beijo e outro, na busca de ar, você me inspira. Um pouco hipnotizado e inspirado por ti, te tiro da cama e sem pedir permissão alguma, porque é muito mais legal ver a tua cara de surpresa ao ler, te coloco nas minhas linhas.

Só que esse texto, precisava ter a tua cara.

Pra combinar com o nosso ritmo, deixei os períodos curtos, pra combinar contigo, tentei fazer as combinações de palavras mais bonitas que conheço e por não achar suficiente, já que sou perfeccionista demais, procurei alguma foto tua perdida no meu celular pra colocar na capa dele e garantir que aquele sorriso imaginado no primeiro parágrafo, ficasse alguns bons minutos no teu rosto. Deixei ela de lado, pra mostrar o sentido que o meu mundo ficou depois que o teu jeitinho todo bagunçado resolveu entrar nele.

E por falta de título melhor, você pode chamar esse texto – assim como o coração que lhe escreve – de “meu”, morena.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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Bruno Amador