Sem as amarras que o mundo te obriga a ter, adoro te ver sendo você mesma. Gosto quando você fala palavrão e me manda a merda quando eu digo alguma idiotice, da tua blusa larga e calcinha, andando pela casa com um coque meio desajeitado segurando um pote de sorvete porque hoje é sábado e foda-se a dieta. Eu amo as tuas gírias, teus “manos”, “meu”, “moiado” e tudo que sai da tua boca quando você chega em casa, desabotoa o botão da calça e se joga no sofá.

Adoro a tua falta de maquiagem de manhã e a cara amassada, complementada pelo cabelo desarrumado e preguiça de se mexer, se esticando de todas as maneiras possíveis pra alcançar o celular que está carregando em cima da bancada. A sua maneira de se espreguiçar na ponta da cama faz com que eu descubra que o corpo humano é capaz de se dobrar em maneiras que eu nunca imaginaria.

E eu adoro te ver nua.

Sem vergonha de ser feliz, sabe? Segurando o pote de sopa assoprando a colher pra não queimar a língua enquanto procura alguma série pra ver no Netflix enrolada embaixo do cobertor, porque está frio demais pra sair de casa e a melhor pedida num dia desses é um par de braços entre 36°C e 38ºC.

De moletom e chinelo trazendo na mão uma sacola cheia de comida que você acabou de comprar no supermercado e quer que eu faça pro jantar, cancelando meus planos de comer pizza. Adoro te ver comer pizza com a mão. Amo a tua cara de pau e o teu jeito “pidão”, sempre conseguindo tudo – ou quase – o que quer porque sua bochecha é grande demais pra eu conseguir dizer não.

De cabelo molhado e rímel borrado, tentando alcançar a unha do pé pra passar esmalte sem derrubar todo o frasco no sofá porque se não a minha mãe me mata. Não que você ligue muito, mas o seu apreço pela minha mãe é maior que o seu orgulho em dizer que se importa um pouco comigo. Com uma toalha na cabeça e outra enrolada no corpo, discutindo com as amigas pra onde vamos hoje, gritando aos quatro cantos do mundo que odeia balada cheia e que se alguém derrubar bebida no teu vestido, você vai ter um ataque.

Sem roupa e cheia de vergonha das tuas dobrinhas, sempre tão vulneráveis aos meus apertos e mordidas, imediatamente combatidos com os teus empurrões e ameaças que variam do “eu vou te matar” até o “você vai dormir no chão se não parar”. As ameaças foram classificadas de acordo com a sua veracidade, a única coisa que você seria capaz de me matar é de tédio quando começa a falar das tuas aulas de atualidade; Eu sei que a Síria está num estado deplorável, trazer isso à tona no jantar só vai me tirar o apetite.

Sem roupa, com uma luz fraca, porém suficiente para ver o desenho da tua silhueta e o teu sorriso meio safado junto com o teu olhar atento, pensando no que vai aprontar comigo. A tua cara de decidida quando desce beijando a minha barriga e a expressão de satisfação quando sobe de volta e beija minha boca. O teu lábio sendo mordido e a resposta quase que imediata no meu, a tua mão desenhando um caminho pelas minhas costas e os teus pelos arrepiados quando a réplica chega subindo pelas tuas coxas.

Gosto de te ver sem pudor e com todo teu poder de sedução. Gosto de te ver com tesão. Gosto de te ver ofegante. Gosto de te ver nua. Do jeito que você veio ao mundo. E insiste em permanecer no meu.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor

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Bruno Amador