O Universo resolveu nos colocar no mesmo salão muito antes do que o planejado. Acho que ele tava sem muito o que fazer e quis ver o que aconteceria quando os meus olhos se deparassem com o teu vestido branco e dourado atravessando a pista principal da festa e repousando calmamente três mesas à frente da minha.

Bom, o resultado seria óbvio. Principalmente porque tínhamos uma cacetada de amigo em comum.

Por isso não demorou nem uma hora pro meu corpo se esbarrar com o teu quando as luzes diminuíram e a música começou. Foi com uma taça na mão e outras inibindo um pouco da minha timidez que praticamente me teleportei dos banheiros quando começou a tocar Safadão.

Nunca fui bom dançarino e acredito que essa foi uma das razões para o Universo planejar colocar uma bailarina na minha vida. Era pra gente se equilibrar. O vexame da dança foi compensando quando na manhã seguinte vi uma mensagem tua no meu celular.

Então começamos a conversar, falamos muito e em questão de semanas já me vi olhando com cara de idiota pro celular. Não demorou até o santo bater (muita referência de sertanejo universitário num texto), os corpos se aproximarem e as bocas resolverem se encostar.

Tá, mas o que isso tem a ver com o erro de planejamento cósmico?

fairly odd parents dancing GIF

Desculpa a piada ruim

O erro foi que a gente não cabia na vida um do outro naquele momento. Nossas expectativas, nossos planos, nós dois não encaixávamos. Era como colocar um daqueles cabos de camelô no iPhone, até poderia durar um tempo, mas não iria demorar até ele ter que ser jogado fora. E sério, a gente não podia ter esse prazo de validade curto.

Era muita coisa em comum pra ser jogada fora assim e eu tinha (ainda tenho) uma vontade enorme de fazer parte da tua vida, não suportaria um adeus precipitado. Então a gente deu nosso jeitinho.

Nos afastamos, mas mantendo o contato porque às vezes bate aquela vontade de conversar, né? Trilhamos nossos próprios caminhos separados um do outro, ao invés de nos equilibrarmos na linha tênue que tínhamos começado a construir.

Você foi experimentar tua liberdade. Com pessoas e lugares novos começou a caminhar sozinha. Aos poucos conquista aquela independência que um passarinho tem conforme sai debaixo das asas da mãe, vai alçar voos pra longe de casa, descobrindo novos horizontes, novos cheiros e (por mais que me dê uma pontadinha rápida de ciúmes) novas bocas.

Vamos concordar aqui que a gente é muito novo pra viver da mesma coisa por longos períodos de tempo.

Por isso eu também trilhei meu caminho. Já conhecendo novos horizontes, resolvi descer e entender um pouco como são as coisas aqui no chão. Faculdade, emprego, carro, comecei a brincar de ser adulto num mundo que não lida muito bem com infantilidade. De pouco em pouco amadureço, crio novas perspectivas e entendo melhor o meu papel nessa coisa meio doida que é a vida. Sempre tentando achar um pra você também.

Você de lá e eu de cá. Debaixo do mesmo céu, entendendo que a distância, embora seja cruel, é necessária. Amadurecer nessa fase em que estamos é essencial, não no sentido de se tornar adulto, mas de adquirir experiência de vida, sabe? Experimentar tudo que for possível pavimentando trilhas mais largas, pra quando o tempo se acertar ou a saudade apertar, podermos andar juntos.

E precisamos de espaço, porque andar em linhas nunca teve muito a ver comigo, algo me diz que a convivência acabou passando um pouquinho disso pra ti também.

Então, morena, vai sem pressa, não esquece que esse ano tem festa pra cacete e o Universo ama nos pregar algumas surpresas. E as mais gostosas dificilmente não virão com você.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Twitter: @brunoamador

Bruno Amador