Por incrível que isso possa parecer eu não busco um amor. Pelo menos não agora, busco algo leve, se for amor, ótimo. Mas tem que ser algo que me permita alçar voos próprios, descobrindo novos lugares, novas pessoas, novos gostos. Óbvio que se minha companheira, ficante, namorada ou seja lá o nome que dermos (nunca fui muito bom com rótulos), me acompanhar seria maravilhoso, só que não vejo problema em percorrer esse caminho sozinho. Até porque nunca estamos sozinhos de fato, temos todos nossos amigos e apaixonites na tela de um celular.

Por isso acredito que existem coisas que precisam ser leves. Relações que percorram caminhos separados, mas paralelos, com amadurecimento de ambos os lados. Sem todo aquele peso das cobranças, sem muita expectativa, pezinho no chão e cabeça nas nuvens porque lá em cima as coisas costumam ser mais bonitas. Em que os encontros não necessitem ser planejados e semanais, mas aquela coisa ocasional que permita a saudade se criar, e que faça cada momento, por menor que seja, virar parte de um quebra cabeça que se encaixa conforme o tempo passa. Algo que deixe o tempo passar e as ideias amadurecem. Tempo e distância, quando bem medidos, fazem um bem danado nessa coisa de ser leve.

Rotina acaba criando uma dependência muitas vezes não saudável e cabeças jovens (como a minha) não lidam bem com dependência. A gente bebe demais, dorme demais, come demais e inevitavelmente vai acabar gostando demais e inevitavelmente, cansando demais. Quando tudo é demais o tempo passa mais rápido e algo que poderia durar anos acaba morrendo em questão de meses.

Claro que existem exceções à regra. De vez em quando aparece aquela pessoa certa, na hora certo, no lugar certo. Mas às vezes a hora pode ser errada ou o lugar pode não ser dos melhores e já pensou se o amor da tua vida sai pela porta da tua casa por causa de uma pequena falha de destino?

Amores, paixões ou um simples gostar leve. Sem o peso, compromisso e rotina que algo mais sério pode impor. Deixar um pouco de ar entrar e assim, de pouco em pouco alimenta uma chama que quem sabe vire fogo. Nada como uma dose extra de oxigênio pra fazer uma labareda crescer e se firmar.

Você de lá, eu de cá, vivendo nossas vidas, descobrindo nossos caminhos, aprendendo, crescendo e amadurecendo. Assim, quando a saudade apertar ou o destino resolver mexer seus pauzinhos, nós possamos ser nós, ao invés de linhas, cada vez aumentando os nossos laços, conhecendo nossos limites e aceitando que caminhar sozinho é bom pra cacete, mas convenhamos que o banho depois da caminhada é muito melhor acompanhado.

Existem coisas que precisam ser leves, pra quando não der mais pra voar sozinho, usarmos as nossas asas pra voarmos juntos, mais alto, mais baixo, mas do nosso jeitinho.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Bruno Amador