Eu gosto de você. Sem sombra de dúvidas, caso contrário não teria te suportado por tanto tempo. Eu gosto da tua presença e de como ela me deixa mais calmo, embora você tenha esse dom particular de quase sempre me deixar nervoso, às vezes no bom sentido, às vezes no sentido de querer voar no teu pescoço.

Eu gosto da tua simplicidade e de tudo que a tua entrada na minha vida trouxe, da inspiração que teus olhos, sorriso, andar e beleza me dão. Das tuas bochechas e desse coração que, embora seja enorme, é uma verdadeira fortaleza quando a questão deixa de ser só amizade. Aprendi a gostar dos teus defeitos e acabei até me acostumando com eles, com a tua demora, com o teu jeitinho tão complicado de se lidar e principalmente, com a tua inconstância.

Falar contigo é gostoso, teus assuntos variam de política ao teu almoço, opiniões fortes e extremamente bem fundamentadas pra uma pessoa que mal se formou ainda. É interessante como nas nossas contradições acabamos achando tanta coisa em comum, o anseio de fazer o bem, músicas, filmes e, conforme o tempo passa, lugares.

Eu gosto de você. Mas eu não te amo.

Eu não te amo porque embora gostar e amar sejam primos próximos, são muito diferentes. Amar tem implícito a constância; ninguém ama uma vez por mês ou “quando dá” e mesmo assim, o amar precisa ser criado à dois e só então levado ao público. Ele te consome e acaba incorporando-se à sua rotina. Amar é repetição, inconscientemente falaria o teu nome mais vezes do que poderia contar, meus amigos te conheceriam e começariam a sair conosco, iríamos em baladas, bares, cinemas e inevitavelmente acabaríamos dividindo a mesma cama.

Sinto sim um friozinho na barriga antes de te ver. Me permito sonhar contigo e de vez em quando faço planos, mas não me entrego por completo, não tiro meus pés do chão, eu me limito. E amar, amar é ilimitado.

Quando a gente ama, as borboletas do estômago saem pelos poros e fica evidente pra todo mundo que aquele coração pertence à alguém. Amar é viver o presente aceitando o passado e sério; você ainda não conhece muita das cicatrizes que marcam o meu coração. Amar é sentir saudade e não conseguir ficar mais de alguns dias sem se falar. Eu, como sou ansioso, não consigo nem 24 horas. E a gente já passou semanas sem trocar uma mensagem.

Amar é pensar no futuro com brilhos nos olhos, moldar planos, planejar viagens, querer compartilhar experiências e moça, não sei nem se temos um presente. Embora nossa história seja longa, nossos encontros são curtos e amor requer tempo. Constância. Intimidade e uma dose de paciência. Amar é aceitar os defeitos e entender que algumas coisas não mudam.

Amar é abrir mão. Gostar é tentar conciliar. Amar é falar sóbrio o que o gostar falaria bêbado, é estar junto mesmo quando não está. É ter friozinho na barriga mesmo depois de um, dois, três anos. E embora o gostar possa sim ter essa longevidade, nem se compara à intensidade do amar.

Amar é inexplicável. Gostar cabe num texto.

É preciso admitir que o gostar, tem traços de amor. É como se fosse uma amostra grátis da pequena eternidade que essa chama pode nos dar. A questão é que nós temos medo de nos queimar.

Por isso, afirmo sem medo de ser feliz. Eu gosto, bastante, de você. Mas eu não te amo, ainda.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Bruno Amador