Não deve ser novidade pra ninguém o que irei afirmar a seguir, mas é sempre bom reforçar: eu sou uma pessoa extremante complicada. Eu demoro, muito, até dar brechas pra alguém e contigo não foi diferente. Talvez fosse só por cansaço, esse ano foi foda, ou porque eu precisava arrumar um espaço pra ti e todo os seus 1,60 na minha vida. Ela andava cheia demais, só que a tua aparição deixou tudo mais leve e acabou criando algumas brechas, que espero poder te acomodar.

Só que né, eu sou complicado. Eu enrolei, não respondia, sumia, não dava bola, eu sou assim. Ou ao menos era. Era até o teu R caipira e fala interiorana invadirem a minha quietitude e começarem a minar cada pedaço da barreira que eu montei.

Falante e um pouco sarcástica brincou com as minhas peculiaridades, imitava o meu sotaque e sem querer me fazia sorrir, logo eu que sempre digo que o caminho da conquista passa pela boca, mas não é o beijo, são os sorrisos. E eu, que sempre falo dos sorrisos alheios, acabei falando do meu. Ficou mais leve e até meio bobo.

Embasbacado com o tom de verde dos teus olhos desisti de resistir e aceitei a inevitabilidade que seria o teu beijo. De olhos fechados você, sem pedir licença, abriu um buraco nesse muro e entrou de mansinho num pedaço pequeno – pra combinar contigo – da minha vida. Como a minha vida é um blog aberto, acabou entrando nas minhas linhas.

Com esse riso meio sem graça e jeito simples você se esbeirou pelo meu telefone e veio parar no meu teclado.

E eu espero que você não se incomode de começar a ser vítima delas, já adiantando que cada vírgula é um suspiro. E. Os. Pontos. Os. Beijos. Que. Te. Darei. Se acostume com os excessos já que a minha escrita anda extremamente pausada e muito bem pontuada.

Tua covinha – aquela que é só de um lado, porque se fosse dos dois seria covardia comigo – virou abrigo pras minhas palavras, já que ela se encontra tão próxima de uma das coisas que mais gostei em ti. Do sorriso. Você usou aparelho, o alinhamento dos dentes não engana e, pra não parecer bizarro, eu só reparei nisso porque passei mais tempo do que devia olhando pra tua boca. Talvez por vontade de mais alguns beijos ou só porque eu fiquei um pouco hipnotizado pelo jeitinho simples, mas encantador, do teu sorriso.

Minha cabeça anda sempre na lua, mas foram os teus lábios que me levaram pro céu. E lá em cima, completamente desarmado decidi, até porque seria impossível negar, te deixar entrar nessa coisa caótica que é a minha vida. Então bem vinda, não repara na bagunça e não se acostuma com o lugar, eu faço muitas mudanças por aqui, mas te garanto que se cada beijo for como o último, você pode ficar um tempinho.

Pois é moça, sorte que cê beija bem, né?

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

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