Era início de tarde quando disse ao porteiro que estava subindo pro apartamento pro 92. A semana de provas tinha sido intensa e tínhamos exagerado um pouco na sexta. A ressaca intensa pedia alguma coisa mais caseira, até cederia a minha casa, mas ela insistiu pra que eu fosse na dela. Passávamos muito tempo aqui, então nem relutei com a ideia. A casa estava vazia e o único som que tinha no ambiente vinha da televisão na sala. Ela assistia “10 coisas que odeio em você” no momento em que abriu a porta pra mim.

De moletom e regata, me cumprimentou com um beijo e foi comigo até o sofá. Colocamos o filme de volta, mas eu já assisti ele tantas vezes que já tinha decorado algumas estrofes do poema que entitula o filme. Pedi para assistirmos algum terror, mas a ideia foi barrada porque “eu não vou conseguir dormir sozinha depois”. prontamente respondi que não me incomodava de passar a noite ali. Você sorriu e como resposta me disse que eu era muito bobo. E eu realmente sou, por ti.

Conforme a tarde caía começamos a pensar em algo pra fazer, sem ideias melhores fomos para a varanda e começamos a beber. Ataquei de barman e com uma jarra de pina colada nos sentamos enquanto alguma música tocava ao fundo. Nosso gosto era eclético demais, passamos por John, Drake, Jorge e Mateus e mais alguns outros nomes que não irei lembrar agora.

Com o Sol se pondo na nossa frente, a gente ficou meio laranja. Eu puxei meu celular pra tirar foto da vista, quando sinto a cabeça dela se encostando no meu ombro. “A luz tá boa”, me falou antes de tirar a foto. E realmente tava. O Sol se refletia no castanho dos seus olhos e os deixavam num tom de mel. Era quase sobrenatural a forma como você harmonizava com aquela luz, a sua pele morena brilhava com os raios que invadiam o apartamento.

A noite avançou e conforme a bebida entrava, ficávamos mais maleáveis e os beijos, mais quentes. De tanto calor, fomos de pouco em pouco perdendo algumas peças de roupa. E, pra não nos queimar com o fogo, nos enrolamos nos lençóis. Agora, com as luzes e corpos apagados, nos deitamos. O teu cheiro de fruta invadia o meu olfato enquanto a tua cabeça se deitava no meu peito.

Começamos a assistir alguns episódios perdidos de Friends pra ver as horas passarem e entre uma brincadeira e outra você acabou pegando no sono.

Sempre achei isso fofo em ti. Desde uma das primeiras vezes que saímos juntos, você sempre acabava dormindo em alguma parte do meu corpo na volta pra casa. E se manteve assim conforme o tempo passou, de vez em quando abraçava meu braço, em algumas prendia a minha perna na tua, era como se eu me transformasse numa espécie de travesseiro, sabe?

Peguei meu celular, pra começar a escrever esse texto que você está lendo agora quando senti a sua mão buscando o controle da televisão e a sua voz baixinha me perguntando “cara, pra quem você tá mandando mensagem essa hora?”, num tom meio investigativo. Respondi que estava escrevendo, porque “sei lá, a luz tá boa”. Você sorriu e imaginei que tinha entendido que não era do Sol que eu tava falando.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Bruno Amador