A vida é composta por ciclos. E de coração, até os nossos olhos se encontrarem sem querer naquele bar, os ciclos costumavam ser um pouco chatos. Altos e baixos, como qualquer rotina, mas sempre naquela linearidade meio monótona, sabe? Não sei se foi a cor do teu cabelo, dos teus olhos ou das tuas lingeries que fizeram a minha monocromia virar aquarela. O mundo ganhou mais tons depois que a minha mão começou a repousar na tua coxa enquanto eu dirigia.

Depois de ti, minha vida deixou de ter ciclos e passou a fazer círculos, mais precisamente elipses. Às vezes nos aproximávamos, às vezes nos afastávamos. Éramos muito bagunçados e nada vai me tirar da cabeça que essa sempre foi a nossa singularidade. Na nossa bagunça a gente se entendia. No meio das roupas, das cobertas, dos travesseiros e dos teus cabelos, nossos corações batiam em sintonia por algumas horas.

Algumas horas. Não era preciso mais que isso pra minha semana se revigorar. Em pequenas doses você curou meu mau humor e minha ranzizice. Parei de reclamar, parei de querer ir embora cedo. Virei uma pessoa melhor. Recomecei a escrever. Saber que eram os teus olhos lendo as minhas linhas me motivaram a criar histórias, contos e poemas.

Só que as elipses nos afastaram. A gente era muito criança e não sabia lidar com essa tal liberdade. Você foi longe demais, eu fui longe demais e nas extremidades das elipses demos adeus um ao outro. Ou foi isso que pensamos. São elipses e a vida é composta por ciclos. Com o passar do tempo nos reaproximamos. Com o passar do tempo nos afastamos. E com o tempo passando fomos aumentando de pouco em pouco esses ciclos.

O amor, nunca morre, sabe? Não quando ele é de fato amor. Paixões acabam, amores apaziguam. A gente coloca eles na gaveta e segue a vida, procura outros bocas, outros corpos, outros corações. Bem longe um do outro seguimos nossas vidas. Escolhi ficar só, se eu te contasse a quantidade de vezes que me decepcionei nessa caminhada, acho que você não acreditaria.

Você achou um novo peito pra habitar. Não deve ter sido difícil, você é uma das garotas mais lindas que já conheci.

E sabe, não vou mentir. O início, foi foda. Era horrível ter que saber que nenhuma teria comigo a química que você teve. Nenhuma me faria sorrir, me arrepiaria, me tiraria do chão como você. Não mostrei falsos sorrisos, não criei falsas alegrias, eu vivi o meu luto pra conseguir te dobrar e enterrar em alguma gaveta. De vez em quando a saudade bate, o coração aperta e eu acabo indo conferir as nossas fotos, ouço alguns dos áudios que guardei no Icloud, respiro fundo e sigo a caminhada.

É preciso seguir. Nunca fui de ficar parado. Cresci, amadureci e coloquei na cabeça que, à minha maneira, mudaria um pouquinho o mundo. Coisa pequena e sem importância pra muita gente. Abri esse blog aqui. E a brincadeira virou coisa séria. As pessoas começaram a aparecer, as perguntas começaram a surgir. “De onde vem tanta inspiração? As histórias são reais? Você escreve pra alguém?” E a resposta era sempre a mesma. Não sei, não sei, não sei. Só que no fundo eu sempre soube. Tudo isso tem um pouquinho de você.

As nossas vidas viraram elipses. E a cada dia caminham pra se reaproximar. Então, quem sabe, um dia a gente se reencontra.

Do lado de cá muita coisa mudou. Me apaixonei, desapaixonei, vivi novas histórias, troquei de cama, troquei de amores, troquei de amigos. Cresci, amadureci e (modéstia parte) me tornei uma pessoa muito melhor. E as únicas constantes por aqui são que o coração ainda bate. Os cabelos ainda enrolam. As bochechas ainda estão rosadas e o sorriso continua sem vergonha.

Um dia a gente se reencontra. Mais maduros, mais experientes e um pouco menos bagunçados. Mas, por enquanto, vamos manter as pernas pro ar. Porque eu sei que eventualmente, as tuas terão que se prender na minha cintura.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Agradecimento especial ao Ricardo pela foto hehe

Bruno Amador