E de toda a paz que ele me trazia. Num simples ato você vinha com o xanax (um remédio ansiolítico, não estranha o nome não, tá?) pra minar a minha ansiedade, ao mesmo tempo que dava uma injeção de ânimo e tirava dos meus olhos a opacidade que os predominam durante a semana. Cada vez mais longas sem um pouquinho da tua risada pra fazer o tempo passar mais rápido.


Que saudade do teu beijo. E de todos os sorrisos que vinham com ele. Acanhados, meio levados e da sinceridade mais pura que eu já pude presenciar. Sorriso que enrubescia tuas bochechas, afinavam a ponta do teu nariz e deixavam teus olhos semi abertos, ficando um maior que o outro. Nunca te disse isso, mas você fica um pouco estrábica quando sorri e eu acho isso fofo pra cacete. Porque esse é um dos poucos momentos que consigo encontrar algum defeito no teu rosto.

Que saudade do teu beijo. E das tuas unhas que por não saber muito o que fazer (já que você ficava toda sem graça) se prendiam na minha nuca, como se fosse um pedido pra eu te conduzir. O engraçado é que entre nós dois, você é a bailarina. De olhos fechados eu tentava te levar um pouco da corrupção que transborda do meu ser. Só que você é muito pura, sempre te disse “você é luz” e eu, mal ou bem, tenho alguns cantos escuros.

Que saudade do teu beijo. E da minha lentidão pra te conduzir. Eu, sempre apressado, me contaminei com a tua calmaria e pra não assustar fui bem devagar, deslizava minha mão pelas tuas costas, brincava com a tua costela enquanto a minha boca se aventurava pelo teu pescoço. E aí você se afastava, respirava e com os olhos me pedia “modos”. Então, de outros modos, tentei te mostrar um pouco da imensidão que eu poderia te dar.

Que saudade do teu beijo. E de encarar fundo os teus olhos, me inspirar no tom escuro e fazer poesia do contraste deles com o teu sorriso. E de ver as tuas marcas de Sol e brincar com o contraste que as nossas peles tinham. E de ver como nas nossas diferenças acabamos nos entendendo. Que saudade do teu beijo, das nossas diferenças e (essa vai ser nova) dos nossos contrastes.

Que saudade de te fazer passear pelas minhas linhas, te enrolar nas minhas palavras e te prender um pouco a cada ponto. Pra matar um pouco a saudade, resolvi te colocar por aqui de novo, foi sem pedir licença, mas com carinho. Espero que tenha gostado da caminhada, porque sempre achei a cena de ti andando uma das coisas mais belas que já tinha visto até então. Ainda mais se esse andar estiver vindo até mim.

Que saudade do teu beijo. E dos teus olhos escuros. E do teu sorriso tão largo. E das tuas unhas descascadas. E do teu andar sem jeito. E da tua mão gordinha. E do teu pescoço com cheiro de fruta. E de estar com você. Mas essa ultima é bem pouco, tá?

Não quero que você fique se achando muito, até porque a intenção desse texto era arrancar de ti esse sorriso que eu gosto tanto.

Espero ter cumprido a missão, morena.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Bruno Amador