Obrigado pela foto Victoria Yumi!

Altamente recomendado ouvir essa música enquanto ler o texto 🙂

Talvez seja pra ser complicado, sabe? Meio indefinido e difícil de explicar pras pessoas.

Eu já disse algumas vezes que histórias rasas demais não me atraem, sempre gostei de pessoas, situações e – principalmente – relacionamentos complexos, porque embora os nós complexos sejam mais difíceis de se fazer, permitem que a corda estique o quanto quiser, sem se desfazer. E é isso que os nossos nós gostam de fazer.

Eles esticam, afrouxam, apertam, ficam a ponto de soltar, mas não se largam. Enquanto isso as pontas da corda dançam; Elas vão pras extremidades, se aproximam e como retas paralelas, ficam próximas, mas não se encostam, até porque elas se encostarem significaria que novos nós seriam feitos e por enquanto, esse não é o momento pra isso.Talvez seja pra ser

Talvez complexo combine mais com nós dois. Porque complicado vem do ato de complicar e a gente nunca complicou. Sempre fomos assim. Complexo, é algo inerente, nascido junto. Na matemática os números complexos, possuem uma parte real e outra imaginária; Não acharia uma definição melhor que essa pra nós.

Talvez seja pra ser intenso. Até porque provavelmente mais de 50% das vezes que estivemos juntos, tínhamos bebido algo e com um pouquinho de álcool toda chama cresce. E puta que pariu, como a nossa chama queimou. As cicatrizes permanecem até hoje, marcas profundas e invisíveis ao olho nu. Só são de fato vistas depois que você ler uns 4 ou 5 textos e notar que todos eles possuem algum aspecto teu. E isso não é consciente, acontece porque o teu jeitinho era o de 21 mulheres, em uma. Todas as 21 mulheres descritas após ti nas minhas linhas tinham algum aspecto teu, não me culpe.

Intensidade sempre foi uma das constantes que eu mais gostava nessa nossa brincadeira, criada por mensagens, mãos, bocas, unhas e um pouquinho de dente, porque isso tudo era tão gostoso que dava uma puta vontade de morder. Mordidas delicadas, no início da noite e mais robustas conforme ela avançava.

Outra constante que sempre gostei, era a nossa sintonia. A capacidade que tínhamos de partilhar de ideias, pensamentos e por vezes completar frases, não precisava brigar pra escolher algum filme, porque eu sabia que o teu gosto iria inevitavelmente bater com o meu. E essa sintonia era o que as pessoas mais viam em nós, porque o seu resultado principal era o constante sorriso que tínhamos nos rostos.

Já que eu tô falando das constantes, talvez seja pra ser constante.

Ou talvez, seja pra ser confuso. Já que a gente nunca precisou de clareza pra se entender. as discussões ocorriam pela tarde e na ausência de luz a gente resolvia cada pendência debatida. E completamente confuso foi como eu fiquei depois que os teus olhos, cujo a cor não será mencionada, entraram na minha vida. Confusa, foi como você me disse ficar depois que, sem mais nem menos, resolvi construir uma história contigo. Ainda a construo, só que bem devagarzinho, porque, se tem uma coisa que a nossa confusão me ensinou foi a ser paciente.

Talvez seja pra ser bonito. Porque se tudo der certo, esse caos aqui pode acabar em algum filme, ou no mínimo um livro. Cheio de separações, brigas, reconciliações e um final com gostinho de “quero mais”.

Talvez seja pra ser. Complicado, intenso, constante, confuso e em certo ponto, até bonito. Talvez seja pra ser a gente. Ou a gente seja pra ser.

E eu sei que isso tudo parece meio louco, mas talvez seja pra gente ser assim também. A sua loucura parece um pouco com a minha.

Bruno Amador