A gente se conheceu na praia. Ela segurava um copo de askov quando perguntei o seu nome. Com um dos sorrisos mais sinceros que eu já vi, me respondeu. Usava um vestido bem solto que acabou molhando um pouco enquanto caminhávamos perto do mar. Não que ela tenha ligado, nunca deu muita importância pra coisas como “look”, óbvio que se arruma como poucas pessoas, mas era aquela menina que “seguia o baile” se algo acontecesse.

Por sinal, seguir o baile é uma das coisas que ela mais faz. As coisas dificilmente acontecem como ela planeja, mas a sua capacidade de se adaptar faz com que a sua presença consiga fazer a festa ser de fato uma festa. Já seguiu muito o baile também com seus relacionamentos. Eles são longos, mas como tudo nessa vida, possuem um fim. E ela podia se matar na cama chorando, podia ficar plantada em casa. Só que não.

Ela se levanta, põe alguma roupa e vai viver. Odeia ficar parada, odeia perder tempo.

Sempre gostou da liberdade e isso foi uma das coisas que sempre tivemos, ambos. Nunca gostou de ciumes, embora partilhe daquela ideia “um pouquinho faz bem”. Gosta de atenção, principalmente quando a companhia ouve, mais do que fala. E isso nunca foi um problema pra mim, já que ela sempre me deixava sem o que falar.

Mas velho, de vez em quando ela perdia a mão. Suas histórias eram caminhos longos, contava do almoço de sexta pra contar do que porque não conseguia dormir no domingo. O caminho mais curto entre dois pontos é uma reta, só que ela prefere o que fazem curvas. E de tanto fazer curvas no caminho acabamos parando lá em casa um dia qualquer.

Ela tem alguns ex amores e diferente do que você pode pensar – já que ela é intensa como poucas – não quer o mal para nenhum deles. O rancor passa e segurar ódio nunca fez bem a ninguém. “Ódio dá rugas Bruno e olha esse rosto, você acha que eu consegui ele odiando as pessoas?”, essa foi uma das frases que me disse quando perguntei sobre o assunto, imediatamente entendi. Não era pela beleza que não guardava o ódio, mas seu coração era leve demais para se ocupar com algo tão pesado.

Tão leve que em pouco tempo resolveu sair voando de mim. Não escapou por entre os dedos, resolvi abrir a mão porque – como disse – ela gosta de ser livre. E quando as minhas asas não conseguiram mais acompanhar as delas, tive que a deixar ir. Não nasci pra ser carregado e ela não nasceu pra carregar.

A gente se encontrou numa formatura. De vestido longo, salto alto e taça de champanhe na mão, teve a mesma simplicidade no sorriso quando me viu. Não importa a situação, seu jeito é único e completamente imutável. E agora, alçando voos mais baixos, me ensinou a alcançar as alturas, para, quem sabe um dia, poder voar ao seu lado.

Mas ei, sem muito grude tá?

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Bruno Amador