Oi. Faz tempo que eu não escrevo algo pra ti, mas depois desse feriado eu precisei te colocar aqui de novo. Então senta, coloca o teu óculos e se prepara. Normalmente não revelo para quem são as coisas que escrevo, porém nesse eu vou deixar claro. Esse texto será sobre mim, sobre você, será sobre nós. Todos os nós que o destino resolveu nos dar.

Os primeiros nós, foram dados há muito tempo. Eu tinha acabado de terminar um namoro e começava a voltar a entender o mundo no fatídico dia que te conheci. Não entrarei em detalhes, até por não lembrar de muitos, era alguma festa de um amigo meu, eu tinha bebido demais e se não me engano algum dos meus amigos queriam ficar com você. Fui com ele falar contigo e acabei gostando um pouco de uma das tuas amigas, fizemos um bem bolado e saímos dali. Ao menos pra mim, nada aconteceu no decorrer da noite. Não sabia o que tava fazendo na real, tinha 17 anos e muita boca pra conhecer ainda.

Acabamos mantendo certo contato, a cidade é pequena e tínhamos muitos conhecidos em comum. É a vida. Fiquei sem te ver um bom tempo, embora conversássemos muito por mensagem.

A gente sempre se deu absurdamente bem. E acho que esse foi o aspecto mais essencial pra tudo que aconteceu a partir desse dia. Todas as brigas, discussões, beijos, todo o segredo, toda a confiança sempre teve como base a nossa química. A gente conseguia dar o nosso jeitinho de contornar as adversidades, se o tempo fosse curto a gente se escondia na escada, se fosse muito longo, horas procurando filme no Netflix. Você tinha seu jeito especial de me acalmar, se eu tivesse irritado e de ser dura, se eu resolvesse sair muito da linha. Mas só se eu saísse muito. Até porque a ideia de andar numa linha nunca combinou muito com a gente.

A gente era muito sorriso, ao mesmo tempo que era muito intenso. Embora essa intensidade tenha propiciado momentos únicos e uma quantidade avassaladora de textos, ela acabou evidenciando a nossa imaturidade e numa dessas brigas de cinema – era como se vivêssemos em algum roteiro de filme – alguns dos nossos nós foram desfeitos.

A vida acabou nos pondo em lugares distintos, com outras pessoas, outros amores, outros nós. Meses se passaram até eu te encontrar de novo. E foi bizarro, era como se absolutamente nada tivesse mudado, sendo assim todas as vezes que te encontrei depois. Sem exceção.

Agora, mais velho, maduro e um pouquinho acima do peso, tenho a coragem de te falar algo que já deve ser evidente. O meu coração ainda descompassa sempre que revejo os teus olhos. Não é amor, não é paixão, é química. É inexplicável como depois – ou por causa? – de tudo a gente se dá tão bem. É como se o tempo não tivesse passado e a gente ainda fosse aquelas duas crianças brincando de ficar junto, teu riso, teu olhar e tua simplicidade – nunca foi preciso muito pra te fazer feliz – se mantiveram mesmo depois de tantos anos.

A diferença é que não somos mais crianças, ou nós. Ao menos não como éramos há alguns anos.

Hoje em dia os sujeitos estão separados e já figuram em orações completamente distintas, mas a vida, tão cheia de nós, ama nos colocar no mesmo (con)texto. E costuma nos costurar depois que um pouco de bebida começa a deixar a gente mais maleável em algumas festas. Aí a sintonia, que você tanto falava que a gente tinha, volta a aparecer.

E a gente conversa, a gente ri, a gente se diverte e se entende. Sabe, não tem porque esconder algo muito claro desde o início. A gente se dá bem, velho. Óbvio que os olhares desconfiados vão chegar, que eventualmente terão sim momentos estranhos e que inevitavelmente tudo isso vai gerar comentários. Mas isso sempre aconteceu e vai continuar acontecendo, porque mal ou bem a gente sempre chamou atenção.

É a vida. É a gente.

Embora não seja mais o teu corpo que habite a minha cama, os teus olhos que leem os meus textos e a tua mão que acaricie a minha nuca, os nós ficaram. E dificilmente algum dia eles serão desfeitos.

Sem pedir permissão alguma, te eternizei nas minhas linhas, assim, não importa quanto tempo passe, a gente sempre vai viver em alguma história, mesmo que a história não tenha mais nós.

Era isso que queria te falar. Espero que tenha sorrido enquanto lia esse texto. É que você sempre gostou dos meus finais e eu, sempre gostei do teu sorriso.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Bruno Amador