Olha, desculpa falar isso por aqui, mas no momento eu não tô afim de conhecer gente nova. E isso não é algo exclusivo a ti.

Você realmente parece ser uma pessoa incrível, aura leve e sorriso fácil são coisas simples que me cativam, por isso te chamei há alguns dias pra conversar e tentei te conhecer melhor, daqui uma ou duas semanas te chamaria pra sair, provavelmente receberia um “vamo” como resposta – porque você parece ser assim, espontânea – e a gente ia acabar saindo mais algumas vezes, íamos descobrir coisas novas, partilhar copos, jantares e quem sabe, até um pouco da minha cama e do meu dia a dia. Que viraria nosso.

Mas, agora eu tô com a o nível emocional de uma pedra. Não parece, eu sei. Só que depois de tanta frustração em um ano eu perdi a vontade de conhecer pessoas novas. Acabei virando uma das personagens que tanto escrevo, daquelas que tem medo de se envolver e acabam se fechando ao mundo externo, repelindo qualquer tentativa de aproximação.

Pode até parecer frescura, mas eu juro que não é. Eu não consigo acreditar mais nas pessoas, eu chamo alguém pra sair já escolhendo o filme do Netflix que vou ver na sexta quando ela cancelar, me surpreendo quando respondem minhas mensagens, se a resposta vier em menos de 12 horas, a surpresa é maior ainda.

Não sei se eu fiquei muito exigente, se eu espero demais dos outros ou se a nossa geração realmente tá uma merda, mas eu cansei de ter que recomeçar nesse ano. É extremante frustrante ver tanto tempo, esforço e dedicação serem jogadas fora por uma mensagem no celular, por uma mensagem. As pessoas não tem a coragem de olhar na cara do outro pra dizer alguma verdade, precisam se esconder por trás de uma tela.

Não dá mais pra desfazer planos, vender ingressos, trocar passagens, eu não consigo mais fazer isso. Eu não tenho mais força pra parecer forte.

Desisti de perder meu tempo me provando ser digno de um beijo, pra depois provar ser digno de outro e aí começar a me abrir pra você me conhecer melhor, trocar snap, mensagem, buscar em casa, levar pro cinema, sair pra jantar, conhecer a mãe – porque é bizarro como eu sempre acabo conhecendo a mãe – entrar no círculo de amizades, começar a ser comentado em público porque alguém viu a marcação no facebook, aí a gente vai pra balada, bar, dormimos juntos e eventualmente começamos a acordar separados. Eu não sei onde erro, não acho que a culpa seja minha.

Então moça, sério. Me desculpa demorar pra te responder. Deixar o assunto morrer. Não te chamar pra sair e ficar animadasso pra te ver em algumas festa, mas depois ficar ela inteira com os meus amigos, me limitando a te dar um “oi”. É que eu realmente não consigo mais recomeçar. Não esse ano.

Pra mim esse ano acabou, já comecei a contar os dias pra 2018. E se as coisas forem a mesma coisa, pelo menos tem copa.

Prometo que eu vou tentar melhorar, mas não espere resultados. Já me prometeram tanta coisa esse ano…

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Bruno Amador