Um pedaço de ti se encontra em cada verso que escrevo. Sem pedir licença me permiti roubar os teus fios e jogar nos travesseiros que me deito. Os teus olhos são os que eu imagino lendo, a tua boca, sorrindo e as tuas bochechas, corando. Os teus pés – de muleca – passeiam pelas minhas linhas, que, embora sejam retas, viram círculos, sempre voltando até você.

As vírgulas são as horas que eu preciso respirar porque você acabou me deixando sem ar. Com o tempo, ficaram menos recorrentes, não porque eu tenha me acostumado com a tua presença, mas sim porque antes de te ver, respiro fundo. Só que você sempre acaba me inspirando. Isso é o que você faz de melhor, cê sabe né?

Cada ponto nos meus textos são pintas no teu corpo. Como você pode ter notado eles aumentaram conforme o tempo. Isso porque a cada semana descobria um pedaço novo de ti. E mesmo você já estando completamente descoberta, eu ainda me surpreendo com o que você faz embaixo delas.

E descoberta você senta na cama enquanto mexe no celular, me olha com o canto de olho e com um sorriso meio
bobo começa um novo parágrafo.

Os parágrafos são às vezes que você me deixou sem o que falar e me obrigou a parar e reorganizar os pensamentos. Isso acontecia em boa parte depois que você me beijava ou saia de casa, descendo as escadas do teu prédio eu refletia sobre como você conseguia se equilibrar tão bem em cima de qualquer calçado. E, ao voltar pra realidade, olhando fundo nos teus olhos recomeço a escrita.

Porque as palavras são todas as vezes que os meus olhos encontraram os teus. Em média, 450x por texto. Busco-os constantemente por neles ter encontrado o que não achava nos outros, sem nem saber que a procurava efetivamente. Neles eu encontrei você. Encontrei o teu jeito alegre, as tuas cores que variam de acordo com as estações e o teu sorriso.

Me encontrei no teu sorriso e das tuas covinhas, fiz abrigo. Ali busquei refúgio quando as palavras não vinham, quando as linhas eram muito curtas, quando os pensamentos não fluiam. Ali encontrei uma razão pra, de vez em quando, ser poeta.

Mas eu nunca fui muito bom em ser poeta, os poemas são lindos, mas curtos demais pra fazer parte da nossa rotina. E embora as curvas deles combinem com o teu corpo, prefiro nos tornas infinitos nas linhas extensas da minha prosa.

Esse texto vai ter um monte de ponto final, só pra exprimir o meu desejo de te descobrir cada dia mais…………………………………

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Bruno Amador