“Você tem uma cara de filho da puta” ela me disse no momento que me conheceu. Costuma ser assim, sincera e pé atrás com todo mundo. A vida já lhe dera muitas rasteiras e se levantar acabou virando uma das suas especialidades, mas nem por isso ela gostava de cair. Quem gosta de quebrar a cara? A gente conversou muito aquela noite e nas semanas seguintes, ela era simpática como poucas garotas que eu tinha conhecido. Demorava entre uma resposta e outra, às vezes esquecia de apertar o “enviar”. Meio avoada, tinha a cabeça na lua embora sempre mantivesse seus pés no chão.

Odeia não conhecer o terreno onde pisa e quase todo mundo passa por um período de avaliação antes de entrar na sua vida.

Talvez porque o santo tenha batido, insiste pra mim que cansa rápido das pessoas – “pessoas me dão bode” – e se não for com a cara do indivíduo não tem mandinga que a convença do contrário. Dificilmente ela é contrariada, muito jogo de cintura é preciso para que a convença de fazer algo que não deseja. E jogo de cintura é algo que nunca faltou entre nós.

Sua cintura balançava conforme a música ao fundo tocava. Não gosta de ficar parada e me tirou pra dançar algumas vezes nas festas que nos encontramos. De rostos juntos ela tentava me fazer seguir a música e aos risos me conduzia pelo espaço. No espaço. Era ali que ela costumava me deixar.

É um pouco possessiva e se emburra com ciúmes, franze a testa e responde seco até que se sinta querida de novo, precisa disso para conseguir se envolver.

Garota de opiniões fortes e uma independência absurda, poucas são as pessoas que fazem de fato falta na sua vida, não que ela seja fria ou algo assim. Ela é completa.

Completa por si só e por isso nunca precisou de alguém para complementá-la. As pessoas são seus suplementos.  Não venha com metade, ela gosta de gente inteira e que a faça transbordar.

Por falar em suplementos ela tenta porque tenta ser musa fitness, musa, ela já é. Mas suas dietas são veemente derrubadas por chocolate. Muitas vezes desconta nele todo o estresse da semana, isso se ela não mandar um áudio de três minutos de rebelando contra o mundo. Não importa o quanto você diga que ela está magra, que ela está bonita, dificilmente estará plenamente satisfeita com o seu corpo. Mas ela se conhece e sabe do encanto que tem. Exatamente por isso se acha gostosa de vez em quando. Até porque, sem encher a bola de ninguém, ela é um pouquinho…

Como boa escorpiana sabe do seu veneno e usa sem aviso prévio, deixando a presa sem defesas e pronta pro bote final. Diferente do animal
em questão o seu veneno não mata, muito pelo contrário. Te faz sentir vivo.

Sempre teve como principal característica fazer suas presas respirarem mais forte. Precisam de oxigênio para (tentar) enfrentá-la. Deixou claro que não usaria seu veneno em mim “você não tá pronto ainda”, ela brincava.

Isso tudo fazia parte do seu jogo, ela sempre teve uma capacidade de ver além e me manteve por perto enquanto o tempo passou. Nos reencontramos, ela um pouco mais loira e eu, um pouco mais maduro. A gente conversou, como sempre e rimos, como sempre. Só que tinha algo diferente no ar, eu podia sentir no seu olhar e, depois de algumas doses de tequila, no seu toque. Devagar, porque ela odeia quando as coisas são muito rápidas, fomos nos sentindo um pouco mais e então eu vi o seu veneno acontecer e me dominar. É indescritível.

Lentamente, me conduziu pelo labirinto que ela chama de coração e eu, sempre acostumado com montanhas russas, me senti seguro na calmaria que havia ali.

Completamente entregue fiquei bestificado com tamanha beleza. E como uma criança pede doce, pedi para vê-lá de novo. Sem muita enrolação, marcamos algo para semana que vem.

Até porque, ela é escorpiana, meio ciumenta, meio carente, meio irritada. Inteiramente encantadora. Ela é escorpiana e nunca será mulher para uma noite só.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Bruno Amador