Morena, é a cor da pele que a peculiar criatura ,que deu nome a esse texto, adquire após passar as férias na praia. Não só na praia, óbvio. Dificilmente fica parada e provavelmente foi essa mobilidade que me motivou a botá-la aqui. Pelo menos dentro dos meus parágrafos, eu consigo acompanhá-la.

Morenos são os fios do cabelo dela. Que se prendem no meu travesseiro e me lembram que de vez em quando a cama deixa de ser minha e vai lá pro plural passar a ser nossa. Minha e da morena. E quando a cama vira nossa eu reparo em quanto esses fios são finos enquanto meus dedos se entrelaçam por eles.

Combinam tão bem com uma taça de vinho que às vezes a gente resolve tomar várias delas. Porque aí a gente acaba se combinando também.

Contrastam com copos de cerveja e vai ver foi por isso que achei irresistível a cena dela sentada no bar quando nos conhecemos.

Fios que caem no rosto com qualquer vento, ou quando ela se inclina pra me beijar. Que ficam pro lado e deixam à mostra seu pescoço e as suas saboneteiras, tão bonitas que só de lembrar, me dá vontade de morder.

Morenos são os olhos dela. Os olhos que eu tanto observei e jurei ver sorrir depois de cada beijo que damos. Olhos que me acompanham quando acordo de ressaca e compartilham da mesma preguiça que eu em alguns sábados de manhã. Olhos que escondem alguns dos seus maiores segredos e curvam pra cima, a cada elogio imbecil que eu resolvo falar quando os vejo.

Imbecil, assim fico todas as vezes que vejo os seus olhos morenos.

Morena é a voz que conforta os meus batimentos e acaba com qualquer pressa que eu possa ter no dia. Fala lenta e cheia de gírias que se atualizam mais rápido que o aplicativo do Facebook. A voz que vem baixinha no meu ouvido quando quer algo, pedindo com o jeitinho que só ela tem de me conquistar. É a voz que vai alto quando ri. Morena é a risada que não consegue controlar sua altura e deixa o ambiente inteiro mais alegre. E a dona da risada completamente vermelha.

Morena é a cor do meu bom dia preferido, do meu boa noite mais gostoso, das minhas despedidas mais longas e da minha saudade.

Morenas são as mãos que arrepiam cada centímetro do meu corpo. As pernas que desfilam pelo meu corredor, sala, cozinha, quarto e, de vez em quando, nos meus sonhos. São os braços que se prendem ao meu pescoço. É o corpo que faz macaquice em cima de mim e como se eu fosse um tronco, me escala e me descobre.

Morena é o tom que colore o meu corpo quando a porta se fecha. É a menina que tem medo de escuro, mas gosta de tudo apagado pra assistir um filme. É a garota que segura a minha mão pra entrar no mar. É a mulher que me põe na linha quando eu insisto em andar torto.

Morena é o som do interfone tocando no cair da tarde, da mensagem que chega de madrugada porque ela bebeu demais, dos vídeos que eu recebo no snap (ela nunca vai abandonar o aplicativo) e das ligações que me acordam quando a gente tem algo pra fazer pela manhã. Morena é o motivo pra eu sair da cama cedo num sábado e pegar a estrada.

É a noite que tomou forma de pessoa e resolveu me fazer sonhar acordado.

Morena é o título do texto e o jeito que eu gosto de chamá-la quando estamos a sós. No mundo ela é Rafa, Mari, Ana, Gabi, Dani, Luisa, Isa ou qualquer um desses nomes que as pessoas a gente vê por aí. Mas aqui em casa, ela tira tudo e fica só, morena.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Bruno Amador