Estávamos no mesmo grupo do whats – era de uma festa para uma amiga em comum – quando ela enviou sem querer duas fotos pedindo ajuda pra escolher a roupa. Logo depois dela mandar “desculpa, grupo errado” eu comentei que preferia ela com a segunda opção. Usava uma roupa completamente diferente das duas quando nos encontramos mais tarde.

Ela é assim, uma indecisão ambulante. Me contou que experimentou o armário inteiro antes de escolher a combinação que usava e fechou um pouco o rosto quando brinquei que preferia a outra. Demorou para entender que era brincadeira, me chamou de bobo quando percebeu e bem rápido senti uma certa conexão com ela. Diz a astrologia que câncer e peixes são signos que combinam, vai ver foi por isso. Ou só porque era impossível não gostar logo de cara daquele sorriso.

Assim que cheguei em casa adicionei o número e a chamei pra conversar no dia seguinte. Logo de cara ficou claro que ela era meio tímida, não abriu o jogo logo de cara, mas de pouco em pouco fomos nos entendendo. Acabamos nos encontrando algumas semanas depois num bar. Nossos amigos tinham marcado de se encontrar lá. Ela tinha sido a encarregada de decidir o lugar, mas na sua indecisão acabou me perguntando qual eu achava melhor após ter feito uma lista de prós e contras de cada um deles. Resolvi a indecisão com uma única pergunta: “Em qual a cerveja é mais barata?”

Fomos no que tinha a mais cara porque teria uma banda sertaneja tocando.

Algumas horas antes ela me chamou dizendo que não sabia se ia. Fiquei inconformado e o motivo não podia ser mais a cara dela. “Eu não tenho o que vestir Bruno!”. Depois de certa argumentação a convenci que ninguém ligaria pra roupa que ela usasse e a ajudei a escolher uma.

Dessa vez usou a roupa que eu escolhi e com um sorriso no rosto me cumprimentou perguntando se tinha gostado da escolha. Disse que não tinha certeza e ela sorriu de novo antes de sentar ao meu lado. Ela cantarolava baixinho todas as músicas enquanto batucava no copo com as suas unhas longas. Passamos por Jorge e Mateus (graças a deus), Simone e Simaria até acabarmos no Safadão.

Ar condicionado no 15 combinava com o frio que fazia no bar. Era uma noite gelada. Estávamos sentados um do lado do outro na mesa e conforme a música avançava, eu chegava mais perto dela. Bem clichezão mesmo, roubei um beijo na parte que ele fala “Todos os beijos que eu não te dei”. E encaixou. O primeiro beijo, virou segundo. Meio na cara de pau pedi o terceiro e acabamos parando no quarto, beijo.

Ela era muito contida pra entregar todo seu ouro de uma vez. Mar profundo, ela pede cuidado antes do mergulho. Envolve com a sua maré e te assusta um pouco com a imensidão que tem. Imagino que dificilmente alguém consiga chegar ao seu fundo, porque, ao menos pra mim, ela aparentava ser infindável. Cada dia que eu passei com ela depois dessa noite era uma descoberta nova.

E sua personalidade, tão encantadora, parecia não ter fim.

Chorou quando recebeu flores pela primeira vez, porque ela é assim. Emotiva demais, embora às vezes não pareça. Não sabia como reagir e encheu minha tela do whatsapp com corações. Delicada no andar e marcante no toque, passeou pelo meu corredor antes de se aconchegar nos meus cobertores.

Ocupava pouco espaço na cama porque gostava de ficar encolhida sob o meu peito. Deitada nele, segurava o edredom na ponta do nariz enquanto dormia. Custou até escolher um filme pra vermos no dia seguinte e acabamos em alguma dessas comédias românticas que passa o tempo todo na Sessão da Tarde.

Seu acordar é devagar, passou horas deitada na cama antes de levantar. Me abraçou por trás enquanto eu colocava as coisas na mesa e demorou horas no banho antes de sairmos pra jantar. Ela é lenta e um pouco ansiosa. Disse que estava “morrendo” de fome e me apressava (muito) enquanto eu tentava achar a minha carteira.

Depois de andarmos alguns quarteirões desistimos dos restaurantes e resolvemos cozinhar. Passamos no supermercado um pouco antes de eu conhecer a sua (im)perícia com uma faca. Ela colocou um saco de ração no carrinho e justificou a compra dizendo que era pra um vira lata que vivia em volta do meu prédio. Colocou a ração num pote antes de subirmos e com um dos sorrisos mais sinceros que já vi subiu as escadas. Sempre achei incrível a felicidade que ela achava nas menores coisas possíves.

Ela é mar profundo, profunda demais pra ser compreendida em poucos meses e até por isso a mantenho por perto até hoje. Ela é mulher pra vida inteira.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Bruno Amador