A gente tem futuro, realmente tem. Nos damos muito bem, você me faz rir e acredito que a recíproca seja verdadeira. Já disse algumas vezes isso, mas sempre valerá a pena repetir.

Éramos opostos quando te conheci. Eu sempre exagerado, bebia demais, grudava demais, corria demais. Você sempre contida, bebia suco, não gostava muito de encostar e nunca teve muita pressa. Teu jeitinho lento, bateu de frente com a minha ansiedade e como um calmante me fez parar de querer tudo correndo. Meu exagero encontro refugo na tua quietitude e se equilibrou, eu fiquei mais contido e você, mais falante. Fomos nos equilibrando e em meio às diferenças, encontramos algumas semelhanças. Aí tudo começou a ficar mais divertido. Nossa alternância entre grosserias e carinhos, entre confusão e clareza e entre paredes, acabaram criando diversas faces de nós dois.

Compartilhamos muitas coisas em comum. A gente gosta de ler, gosta das mesmas musicas, dos mesmos filmes e temos um desejo constante de conhecer, de descobrir, a gente não consegue ficar parado. E foi aqui que o nosso presente deixou de existir.

Desculpa roubar o verso do Oriente, mas você quer conhecer a vida e eu, quero conhecer o mundo.

Não que você não queira conhecer o mundo (isso é algo que partilhamos também), mas a vida é muito mais urgente. Você quer conhecer outros bares, outros quartos, outros restaurantes. Você quer beijar outras bocas, morder outros pescoços, segurar outras nucas. Você precisa viver, sabe? Sentir o batimento acelerar e depois enjoar, quebrar alguns corações e ter o coração quebrado. É bizarro falar isso, mas todo mundo precisa se calejar.

E eu acho que já me calejei o suficiente. Quero a calmaria. Não que eu ainda não desperte aceleração de batimento, frio na barriga e tudo mais, sei ser intenso, mas chega uma hora que toda essa intensidade acaba, deixa de ser algo em todos os encontros e vira um pouquinho de rotina. Só um pouquinho porque eu nunca fui de seguir padrões.

Eu já beijei muita boca, já dei e quebrei meu coração muitas vezes, já conquistei, quebrei e reconstruí alguns outros. Já desvendei muitos pescoços, percorri muitas curvas e de tantos quartos, acabei fazendo um blog. Eu já vivi bastante e embora saiba que ainda tenha muito pra viver, preciso reconhecer que você tem muito mais pra descobrir.

Você ainda precisa escolher qual curso seguir e eu já to juntando dinheiro pra minha pós, eu vou ser efetivado em alguns meses e você nem começou a estagiar, nossos momentos, nossas vidas são muito diferentes e embora seja sempre muito gostoso quando elas resolvem se encontrar, elas não se encontram sempre.

Elas não vão se encontrar quando eu pegar meu carro e for pra praia, quando eu me enfiar num avião pra espanha, quando eu quiser juntar um dinheiro e ir pra qualquer lugar desse globo. Elas são diferentes, os lugares, os amigos, o tempo é diferente. Pelo menos por enquanto.

Sem me preocupar com o tempo, porque isso nós temos de sobra. Te deixei ir. Te prender nunca foi e nem será uma opção, abro mão do presente com a esperança de que alguma força divina te coloque aqui no futuro. A gente se esbarra em tanto lugar, que eu sei, em algum momento vamos acabar nos (re)descobrindo. Ambos mais maduros e igualmente vividos.

Aí, a gente tenta descobrir o mundo, provavelmente já terei ido a alguns lugares, não que isso seja um impecílio, percorro todos eles de novo sem problema algum. Até porque, as coisas costumam ser muito melhores com a tua companhia.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

Bruno Amador