Antes de começar esse texto eu preciso admitir algo muito sério. Algo na minha vida, karma, destino, o universo insiste em pôr mulheres de touro no meu caminho. Não é brincadeira. Das 8 vezes que eu me envolvi com alguma garota, 4 eram pessoas desse signo. Gente, 50% das vezes que o meu coração bateu mais forte, uma mulher de touro foi o motivo. Isso não é normal.

Tínhamos amigos em comum quando nos encontramos pela primeira vez numa dessas festas de faculdade. Ela nunca foi de esconder desejo e já tinha falado que queria me “conhecer”, eu nunca fui muito difícil e ela maravilhosa. Não conversamos muito antes de nos beijarmos a primeira vez.

Fomos deixados de lado pelos nossos amigos e a vida se encarregou do resto, um sorriso meio de lado pelo meu lado, um meio acanhado pelo lado dela e lá fomos nós.

Menina forte e um pouco possessiva, se irritava um pouco quando sabia que outras surgiam na minha vida. Mas me deixava livre, deixou por um momento eu não ser só dela, ao menos não todos os dias. Acredito que por saber de que em algum momento eu voltaria e os beijos com gosto de saudade costumam ser os mais gostosos. Ou pelo menos era isso que me falava pra justificar a liberdade que me dava.

Inteligente como poucas, me deixou experimentar outros gostos pra eu ter certeza de que nenhum se compararia ao dela. Ela tinha fome – a frase a seguir vai soar bem estranha, fome de mim. Sentia o desejo saindo da sua pele e que pessoa não gosta de se sentir assim? Ela me devorava, começava no meu pescoço e passeava no meu peito.

Brincava com meus cachos antes de dormir e podia ver o brilho nos seus olhos enquanto ria das idiotices que eu falava. Virou uma companhia pra tudo e a convivência começou a gerar algumas briguinhas que eram resolvidas do nosso jeitinho.

Reclamava que eu era muito dramático enquanto eu dizia que ela não tinha coração. Mas eu sempre soube que no seu peito batia algo que poucas vezes um ser humano teria o prazer de conquistar. Seu coração ficava por trás de um labirinto e chegar até ele requer tempo e uma malemolência que raras pessoas têm.

Não se apaixona como qualquer outra pessoa, ela gosta de esforço, extravagância e um pouco de inovação. Me ensinou a viver bem, comíamos bem, viajávamos bem, dormíamos bem e ela transava, transava bem. Era uma menina de prazeres e sabia ser prazerosa como ninguém soubera ser.

Conforme fomos nos aproximando o ciumes crescia, mas não era aquele ciume chato que me impedia de algo, até porque eu não deixaria isso acontecer. Era um ciume divertido, quase sempre curado com um beijo e algum elogio ao pé do ouvido. Os casos mais graves eram remediados com uns textinhos e a certeza de que nenhuma se compararia à ela.

Acabou se tornando parte das minhas histórias e coloriu um pouco as capas dos meus textos, sua força tornou-se característica principal de muitas das minhas personagens e ela, personagem principal de muitos momentos da minha vida.

Toda taurina é mulher forte, mas essa em questão é praticamente insuperável.

Bruno Amador – clique para me conhecer melhor. No Instagram e Snapchat: @brunoamador

 

 

Bruno Amador